terça-feira, 26 de outubro de 2010

Eleições 2010: o voto cristão e a ética

Apesar de já estarmos na reta final, acho o momento bastante oportuno para republicar um post que costumo fazer nos períodos eleitorais. Estou falando do "Decálogo Voto Ético". Alguns balizamentos fundamentais sobre o uso ético do voto do evangélico, conforme o sumário de propostas defendidas pela conferência da então Associação Evangélica Brasileira (AEVB). Um dos idealizadores do decálogo foi o pastor Caio Fábio, presidente da Associação Evangélica Brasileira (AEVB) à época. Poderíamos considerá-los os dez mandamentos da igreja durante a eleição. Na minha opinião, é dever de todo cristão cumprir todos os "mandamentos". Se sua igreja (ou você) não cumpre, ao menos, metade destes princípios, reflita se a relação que ela mantém com a política é realmente sadia!

Decálogo Voto Ético

I – O voto é intransferível e inegociável. Com ele o cristão expressa sua consciência como cidadão. Por isso, o voto precisa refletir a compreensão que o cristão tem de seu País. Estado e Município;

II – O cristão não deve violar a sua consciência política. Ele não deve negar sua maneira de ver a realidade social, mesmo que um líder da igreja tente conduzir o voto da comunidade numa outra direção;

III – Os pastores e líderes têm obrigação de orientar os fiéis sobre como votar com ética e com discernimento. No entanto, devem evitar transformar o processo de elucidação política num projeto de manipulação e indução político-partidário;

IV – Os líderes evangélicos devem ser lúcidos e democráticos. Portanto, melhor do que indicar em quem a comunidade deve votar, é organizar debates multipartidários, nos quais, simultânea ou alternadamente, os vários representantes de correntes políticas possam ser ouvidos sem preconceitos;

V – A diversidade social, econômica e ideológica que caracteriza a igreja evangélica no Brasil, deve levar os pastores a não tentarem conduzir processos político-partidários dentro da igreja, sob pena de que, em assim fazendo, eles dividam a comunidade em diversos partidos;

VI – Nenhum cristão deve se sentir obrigado a votar em um candidato pelo simples fato de ele se confessar cristão evangélico. Antes disso, os evangélicos devem discernir se os candidatos ditos cristãos, são pessoas lúcidas e comprometidas com as causas de justiça e da verdade. E mais: é fundamental que o candidato evangélico queira se eleger para propósitos maiores do que apenas defender os interesses que passam também pela dimensão política. Todavia, é mesquinho e pequeno demais pretender eleger alguém apenas para defender interesses restritos às causas temporais da igreja. Um político evangélico tem que ser, sobretudo, um evangélico na política e não apenas um “despachante” de Igrejas;

VII – Os fins não justificam os meios. Portanto, o eleitor cristão não deve jamais aceitar a desculpa de que um político evangélico votou de determinada maneira, apenas porque obteve a promessa de que, em fazendo assim, ele conseguirá alguns benefícios para a igreja, sejam rádios, concessões de TV, terrenos para templos, linhas de crédito bancário, propriedades ou outros “trocos”, ainda que menores. Conquanto todos assumamos que nos bastidores da política haja acordos e composições de interesses, não se pode, entretanto, admitir que tais “acertos” impliquem na prostituição da consciência de um cristão, mesmo que a “recompensa seja, aparentemente, muito boa para a expansão da causa evangélica. Afinal, Jesus não aceitou ganhar os “reinos deste mundo” por quaisquer meios. Ele preferiu o caminho da cruz;

VIII – Os eleitores evangélicos devem votar baseados em programas de governo, e não apenas em função de “boatos” do tipo: “O candidato tal é ateu”; ou: “O fulano vai fechar as igrejas”. Ou o sicrano não vai dar nada aos evangélicos”; ou ainda: “O beltrano é bom porque dará muito para os evangélicos”. É bom saber que a Constituição do país não dá a quem quer que seja, o poder de limitar a liberdade religiosa de qualquer grupo. Além disso, é válido observar que aqueles que espalham tais boatos, quase sempre, têm a intenção de induzir os votos dos eleitores assustados e impressionados, na direção de um candidato com o qual estejam comprometidos;

IX – Sempre que um eleitor evangélico estiver diante de um impasse do tipo: “o candidato evangélico é ótimo, mas seu partido não é o que eu gosto”, é de bom alvitre que, ainda assim, se dê um “voto de confiança” a esse irmãos na fé, desde que ele tenha as qualificações para o cargo. A fé deve ser prioritária às simpatias ideológico-partidárias.

X – Nenhum eleitor evangélico deve se sentir culpado por ter opinião política diferente da de seu pastor ou líder espiritual. O pastor deve ser obedecido em tudo aquilo que ele ensina sobre a Palavra e Deus, de acordo com ela. No entanto, no âmbito político, a opinião do pastor deve ser ouvida apenas como a palavra de um cidadão, e não como uma profecia divina”.

Este Decálogo foi escrito basicamente por Caio Fábio, quando presidia a AEVB, e teve algumas pequenas inserções de outros amigos no texto, o qual foi amplamente divulgado em 1994, quando das eleições daquele ano.

Instrumento muito útil este decálogo, em minha opinião. Então, como andaram nossas igrejas nestas eleições? Acho que a resposta não é muito animadora.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Desmascarando os e-mails falsos.

Para facilitar a divulgação nesta última semana de campanha, fiz uma compilação dos emails falsos que circulam nesta campanha sobre Dilma Rousseff e seus respectivos desmentidos. Cada link remete ao leitor ao texto em questão.

A morte de Mário Kosel Filho: http://migre.me/1pfAb
A Ficha Falsa de Dilma Rousseff na ditadura http://migre.me/1pfCc
O porteiro que desistiu de trabalhar para receber o Bolsa-Família http://migre.me/1pfEJ
Marília Gabriela desmente email falso http://migre.me/1pfSW
Dilma não pode entrar nos Estados Unidos http://migre.me/1pfTX
Foto de Dilma ao lado de um fuzíl é uma montagem barata http://migre.me/1pfWn
Lula/Dilma sucatearam a classe média (B) em 8 anos: http://migre.me/1pfYg
Email de Dora Kramer sobre Arnaldo Jabor é montagem http://migre.me/1pfZH
Matéria sobre Dilma em jornais canadenses é falsa: http://migre.me/1pg1t
Declarações de Dilma sobre Jesus Cristo – mais um email falso: http://migre.me/1pg2F
Fraude nas urnas com chip chinês – falsidade que beira o ridículo: http://migre.me/1pg58
Vídeo de Hugo Chaves pedindo votos a Dilma é falso: http://migre.me/1pg6c
Matéria sobre amante lésbica de Dilma é invenção: http://migre.me/1pg7p

Fonte: Blog do Stanley Burburinho

Tem gente que faz cada baixaria para convencer você a votar ou não votar em fulanos e cliclanos.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Solteiro por opção?

Mundo tem 57 milhões de homens a mais do que mulheres, diz ONU

Relatório divulgado mostra que há mais homens em camadas mais jovens da população, enquanto as mulheres dominam grupos mais velhos

O planeta tem 57 milhões de homens a mais do que mulheres, segundo relatório das Nações Unidas (ONU) divulgado nesta quarta-feira intitulado "Mulheres do Mundo 2010: Tendências e Estatísticas".

De acordo com o documento, a maior parte dos países tem mais mulheres do que homens, como é o caso do Brasil, onde existem 97 homens para cada 100 mulheres. Porém, os países mais populosos do mundo têm mais homens do que mulheres, o que explica a disparidade.

A China, por exemplo, tem 108 homens para cada 100 mulheres. A Índia tem 107 homens para cada 100 mulheres; o Paquistão, 106, e Bangladesh, 102. A média mundial é de 102 homens para cada 100 mulheres.

Segundo o relatório, a disparidade entre o número de homens e mulheres pode ser “consequência de uma preferência por filhos em vez de filhas”. “A detecção antecipada do sexo do feto pode levar a um número maior de abortos de fetos femininos”, afirma o documento. Na China, a política do filho único, que teve como consequência um grande número de abortos, principalmente de meninas, completou 30 anos em setembro.

Mais senhoras

O estudo mostra ainda que há mais homens nas camadas mais jovens da população, enquanto as mulheres dominam os grupos mais velhos. Na média global, as mulheres com mais de 60 anos constituem mais de 50% da população. Na Europa Ocidental, por exemplo, elas são 63% dos idosos.

Apesar de as mulheres se casarem cada vez mais tarde, no Níger 20% das meninas com menos de 15 anos já estão casadas, afirma o relatório.

As mulheres são mais propensas do que os homens a morrer de doenças cardiovasculares. Em níveis globais, essas doenças foram a principal causa de morte em 2004, matando 32% das mulheres e 27% dos homens.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

"Política de FHC era nociva à Petrobras", diz Gabrielli

Em entrevista ao iG, presidente da estatal diz que empresa "morreria, seria desmembrada e provavelmente privatizada"



O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse que a administração da estatal deve ser discutida durante as eleições presidenciais. Na última quarta-feira, Gabrielli divulgou nota na qual acusa o governo anterior de fatiar a empresa em várias unidades e querer privatizá-la. Nesta sexta-feira, em entrevista ao iG, Gabrielli não só manteve o teor da nota polêmica, como também detalhou o que chama de “plano de desmonte da Petrobras”.

E rebateu o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, que reclamou da nota e pediu mais respeito de Gabrielli. “Eu não desrespeitei o presidente Fernando Henrique Cardoso de jeito nenhum. Eu disse apenas que a política que o governo dele orientou a Petrobras a fazer era nociva para a Petrobras. Era uma política que levaria à privatização e à inanição da Petrobras. E reafirmo minha posição”.
Leia, abaixo, trechos da entrevista.



iG: O que o motivou para divulgar a nota em resposta às declarações do ex-diretor da ANP, David Zylbersztajn, na época do governo FHC?
José Sérgio Gabrielli: O País tem no petróleo e na energia dois vetores fundamentais para o crescimento. A maior empresa do País é a Petrobras. É a segunda ou terceira maior empresa do mundo na área do petróleo, dependendo do critério. A Petrobras tem o maior plano de investimentos do mundo para desenvolver petróleo, refino, biocombustíveis, gás e energia. E a Petrobras estava num período de silêncio por causa da capitalização, não podia falar. Todos falaram sobre a Petrobras menos a Petrobras. Então eu achei que era um momento de discutir o futuro da Petrobras. E discutir o futuro da Petrobras passa pela discussão sobre o modelo de negócio da Petrobras, de como se organiza a Petrobras. E aí eu fiz comparações, sim, entre os oito anos dessa atual diretoria – no início era José Eduardo (Dutra) na presidência e eu na diretoria financeira – com os oito anos anteriores e identifiquei alguns problemas na gestão anterior, que se nós tivéssemos mantido, a Petrobras morreria, seria desmembrada e provavelmente seria privatizada.

iG: O senhor pode detalhar isso?
Gabrielli: A área exploratória é a principal área de atuação numa empresa de petróleo, pois o petróleo precisa ser encontrado. Esta área estava diminuindo. Com a quebra do monopólio e com o processo de leilões, a Petrobras foi inibida, limitada a participar dos leilões para dar espaço para o setor privado. Se continuasse assim, morreria por inanição, porque não teria área de exploração, então morreria. Na atividade de refino, a Petrobras tem um sistema integrado de refino que estava sendo dividido em partes. A Petrobras estava sendo excluída do setor petroquímico e estava sendo separada em partes. Tinha sido o primeiro passo na criação da Refap (Refinaria Alberto Pasqualini); a Reduc (Refinaria Duque de Caxias) estava sendo preparada para ser repartida; as fábricas de fertilizantes estavam sendo preparadas para ser seccionadas; a estrutura de refino estava sendo estruturada em unidades de negócios onde cada refinaria era um unidade de negócio independente.

iG: O que mudou no governo atual? O que a gestão deste governo realizou de diferente?
Gabrielli: As refinarias não são mais empresas separadas. Quando chegamos, integramos, fortalecemos as funções corporativas. Quando chegamos, fortalecemos os sistemas entre as partes, enfraquecemos a exacerbação do conceito de unidade de negócios. Nós estabelecemos que a unidade de negócios está subordinada ao interesse corporativo. Nós fortalecemos o sistema Petrobras mais do que cada parte do sistema. Isso foi uma mudança fundamental no modelo de organização da companhia, que chegou agora ao limite máximo. Acabamos com as unidades de negócio e as transformamos nas unidades operacionais. Assim fica difícil privatizar o todo. Na medida em que se fatia, pode-se privatizar partes.

iG: Como associar tal modelo de fragmentação à privatização? Não é uma dedução?
Gabrielli: Qual a outra alternativa a isso? É uma dedução óbvia, sequencial, lógica. O que nós fizemos foi inverter isso, nós fortalecemos o sistema, nós fortalecemos a engenharia da Petrobras, a ciência e tecnologia na Petrobras, o desenvolvimento de pesquisa. Reforçamos o processo de admissão, a Universidade Petrobras, aumentamos o investimento em oito vezes nos últimos oito anos – eram de US$ 5 bilhões em 2003 e, em 2010, US$ 45 bilhões. Voltamos a ter uma participação ativa na petroquímica, no biodiesel, no etanol. Nós fizemos o contrário, ao invés de conter, fragmentar e partir. E essa é a perspectiva para o futuro. Porque o pré-sal é uma área com baixo risco exploratório. Só na bacia de Santos temos mais de 20 poços com sucesso total.
iG: O que poderá mudar na Petrobras se a oposição vencer, na sua opinião?
Gabrielli: Se voltarmos àquele modelo, a única alternativa é fatiar, fraccionar, quebrar, vender. Não tem outra alternativa.

iG: Qual a sua resposta para quem diz que o senhor entrou na campanha eleitoral?
Gabrielli: A resposta é que é campanha deles, eu defendi a Petrobras, defendi um programa para o País, um programa para o futuro da Petrobras e para o País. E quero discutir no mérito, não vou discutir no adjetivo. Se é campanha eleitoral, se é lunático, para mim não é relevante, para mim é o mérito, o substantivo. Estou discutindo a exacerbação do conceito de unidade produtiva da Petrobras, de redução da capacidade exploratória, de limitação na capacidade de investimento, no modelo de contratação para gás e óleo, política de engenharia e desenvolvimento, política de pessoal, relacionamento com a sociedade, isso é um modelo de gestão da Petrobras, que acho que são temas relevantes para o País, que acho que são relevantes para o País, que deveriam ser discutidos na campanha eleitoral.

iG: O que o senhor diria ao presidente Fernando Henrique Cardoso, que pediu mais respeito do senhor por causa da nota em que o senhor o acusa de planejar a privatização da Petrobras?
Gabrielli: Eu não desrespeitei o presidente FHC de jeito nenhum. Eu disse apenas que a política que o governo dele orientou a Petrobras a fazer através do conselho de administração era política nociva para a Petrobras a meu ver, era uma política que levaria à privatização e inanição da Petrobras e reafirmo minha posição. Se ele me desconhece é porque ele provavelmente está fora do mundo. (Fernando Henrique teria indagado: ”Quem é esse Gabrielli”)

iG: Ele respondeu que não privatizaria a Petrobras ...
Gabrielli: Aliás, isso é uma coisa que está acontecendo nesta campanha. O candidato Serra anda falando coisa que não faz em São Paulo. É possível também que o Fernando Henrique Cardoso esteja falando, mas não fez isso, a ação dele não foi na direção de fortalecer a Petrobras. Ninguém pode dizer que ele fortaleceu a Petrobras.

Fonte: IG

domingo, 10 de outubro de 2010

Coração amargurado

Drauzio Varella

Entrei no táxi falando no celular. Quando desliguei, percebi que o motorista me olhava de soslaio:
– O senhor não é aquele médico que dá conselho na televisão?
Pensei em explicar que não eram conselhos, mas concordar simplificava.
Assim que comecei a digitar os números do telefonema seguinte, ele interrompeu com delicadeza:
– O senhor teria paciência para ouvir um coração amargurado?
Em meu lugar, leitor, você diria não?
– Doutor, vivi com duas mulheres. A primeira era garota de programa; a segunda, uma evangélica fervorosa que nem nua na minha frente ficava. Advinha qual das duas me deu problema?
– A santa.
– Como o senhor sabe?
A garota de programa era vizinha de quarto na pensão da Alameda Glete, em que ele foi morar quando chegou em São Paulo aos dezenove anos, sem ter um gato para puxar pelo rabo, segundo ressaltou.
A moça havia fugido de Pernambuco com dezesseis anos para escapar das investidas do padrasto, que a mãe insistia em considerar simples manifestações de carinho. Aqui, conseguiu emprego numa fábrica de roupas na rua Oriente, para trabalhar doze horas por dia na máquina de costura. Três meses depois que a fábrica foi à falência, estava ameaçada de despejo do quartinho alugado no Brás, quando surgiu a inevitável amiga bem vestida que a apresentou ao dono de um inferninho na zona norte.
A solidão aproximou os dois na pensão da Alameda Glete. Nos fins de semana, passavam horas conversando; às vezes saíam para passear, mas não se tocavam.
Depois de meses de convivência, ele a beijou. Ela disse que nunca havia sido tratada com tanto respeito; por um homem como ele abandonaria a vida na noite, seria uma companheira dedicada e sincera.
Sem casar no papel, viveram em harmonia durante oito anos, num sobradinho do Jaçanã:
– Minha casa era um brinco. Se disser que ela me deu motivo para desconfiar que estivesse interessada em outro homem, estou mentindo.
Quando foi promovido a encarregado do almoxarifado da firma em que trabalhava, ele conheceu a outra, mocinha, evangélica recatada que corava na presença do chefe. A esposa ideal para constituir família, concluiu.
A separação foi dolorosa. A primeira mulher chorou muito, mas não entrou em desespero, pressentia o desenlace: ele nunca esqueceria o passado.
– Eu também sofri feito cachorro. Gostava mais dela do que da outra.
Mesmo assim, casou com a evangélica no civil e no religioso, tiveram duas filhas criadas em obediência aos princípios religiosos da mãe e um neto que havia acabado de nascer.
Com a segunda mulher não havia clima para os arroubos de paixão carnal que povoaram as noites do primeiro casamento, ausência compensada pela tranquilidade da vida familiar e de uma relação afetiva tépida, sem sobressaltos:
– Nunca usou um decote, uma saia curta. Se íamos a um aniversário, ficava entre as mulheres, nem perto dos homens chegava.
Entregue de corpo e alma à família, a esposa experimentou a sensação de vazio que se instala em mulheres como ela, quando os filhos saem de casa. Passava os dias entristecida, sem ânimo até para pentear o cabelo, à espera que o marido voltasse do trabalho.
Por sugestão de um amigo que enfrentara problema semelhante, ele comprou um computador para distraí-la durante o dia.
A transformação impressionou a família inteira. Em poucos dias, ela parou de reclamar da vida, virou uma mulher alegre e extrovertida; até roupas coloridas saiu para comprar.
Cinco dias antes de nosso encontro no táxi, aconteceu o inesperado: pela primeira vez ela não estava em casa quando ele chegou. Nem na casa das filhas. No espelho do banheiro havia um bilhete: “Conheci um rapaz pela internet. Fugi com ele. Não me procure, tenho direito de buscar a felicidade”.
– Veja quanta ingratidão. Com o computador, que ainda faltam duas prestações para pagar.
– Você foi atrás dela?
– Feito louco. Com o revólver.
– Não faça uma besteira dessas. Vai acabar na cadeia, cheio de remorsos. Suas filhas jamais o perdoarão. Mulheres não faltam, encontre outra, é a melhor maneira de esquecer.
– Agora, vou lhe dizer do fundo do coração, doutor, se um dia eu arrumar outra vai ser uma mulher de programa.

Fonte: Espaço Cultural

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sábado, 9 de outubro de 2010

Nudismo Evangélico em crescimento!

Agora parece que virou moda tirar a roupa para Jesus! O irmão não leu errado não. É isto mesmo. No Brasil já há vários grupos de evangélicos praticantes de nudismo realizando reuniões de oração do jeito que vieram ao mundo. Nos Estados Unidos e na Austrália há igrejas em que todos participam do culto nús, do pastor às crianças; da vovó à irmã bonitona.

E não são poucos os adeptos desta prática. Eles se chamam “naturistas cristãos” e tem até site, na verdade vários. Sim, pois pude identificar pelo menos seis grupos distintos em atuação no país.Conheça o site: http://naturistascristaos.org/0menu.htm

Estevão Prestes, na foto ao lado, catarinense e Andréia Baia são os webmasters do site. Estevão gosta de orar nu e já foi expulso de uma igreja. Assim se definem:


Somos um grupo de cristãos de diferentes igrejas que descobriram na prática naturista uma forma de desenvolvimento pessoal, de comunhão mais profunda ou, em alguns casos, apenas uma saudável opção de lazer. Apesar do direcionamento predominantemente evangélico estamos abertos a cristãos de todas as correntes, já que não acreditamos na discriminação.Assim como o cristianismo, o naturismo também não se restringe a grupos sociais específicos, sendo composto por pessoas das mais diferentes profissões, níveis de escolaridade, faixas etárias e classes sociais. Naturistas aprendem a enxergar o outro além dos rótulos: antes de sermos desta ou daquela classe social, desta ou daquela raça, desta ou daquela religião ou nacionalidade, somos antes de tudo, depois de tudo e em todo o tempo, seres humanos, criados à Imagem e Semelhança de Deus, e esta imagem é o que pode existir de mais sagrado e presente em todos.


A comunhão entre Deus e nudismo custou caro ao arquiteto curitibano Estevão Prestes, 31 anos. Evangélico há 14 anos e freqüentador da Praia do Pinho (Santa Catarina) há três, ele foi expulso da Igreja do Evangelho Quadrangular, da qual foi professor da escola dominical. “Quando meus hábitos foram descobertos, fui chamado pelos pastores a um conselho. Houve a leitura de acusação formal de comportamento imoral”, conta Estevão, que hoje é membro da Igreja Presbiteriana. “Não escondo que sou naturista, mas também não ando com crachá. Os que sabem, me aceitam”, garante.Estevão gosta de orar sozinho na praia e de ler a Bíblia – nu, é claro: “A vivência naturista me aproxima da espiritualidade. Tenho momentos de comunhão com a natureza, com Deus e o com próximo”, justifica. Pureza não está ligada às roupas’.

Há muitos evangélicos naturistas no Brasil. A pureza da alma não está ligada às roupas. Considero o naturismo uma visão da Criação. As pessoas ainda têm preconceito contra o nu porque por falta esclarecimento. Sempre fui atuante na Igreja e não esperava ser excluído de minhas atividades de uma maneira tão desagradável. Mas a religião não deixou de estar no meu dia-a-dia. Converso com Deus seja onde for. Não escondo que sou naturista. Não tenho do que me envergonhar.

Depoimentos:
‘Não me considero um pecador’ . Na minha vida, o naturismo antecedeu a religião. Fico nu há 15 anos, desde que fui à Praia de Trancoso, na Bahia. Já freqüentei Abricó e gosto da Praia Olho de Boi. Há sete anos, eu me tornei evangélico. Não me considero um pecador por ainda buscar praias de nudismo. Onde está na palavra de Deus que é proibido ficar nu? Temos o espírito livre e puro. O que dizer do Carnaval, então? E das revistas de mulheres ou homens pelados? Nós temos uma filosofia de vida: a do respeito ao próximo. Carlos Moreira, 44 anos, comerciante.


Não é só no Rio que os evangélicos estão deixando de lado as indumentárias mais do que comportadas. Considerada um paraíso naturista, a Praia de tambaba, em João Pessoa, Paraíba, reúne entre seus freqüentadores um grupo de pelo menos 15 cristãos, segundo o ex-presidente da Sociedade Naturista de Tambaba Nelci ROnes Pereira de Sousa, 47 anos.

Nascido em família evangélica, Nelci é naturista há mais de 20 anos. "Detesto roupas, o que não quer dizer que eu não tenha Deus no coração. Imoral é o que se faz de sujo com o corpo", defende ele, que está afastado da Igreja Batista há 10 anos. "Não sofri nenhuma crítica. É pura falta de tempo mesmo", diz o programador de computadores.
Já o aposentado Carlos Antonio Pereira de Moraes, 52 anos, deixou os cultos por se sentir "incomodado com o conservadorismo e o fanatismo": "Optei pelo naturismo e sou livre. Ser cristão é pregar o Evangelho onde for".

Naturistas Famosos?

Uma das coisas mais curiosas que vi no site foi uma lista de (supostos) naturistas cristãos famosos, segundo os autores:



AMY GRANT: Esta querida cantora gospel causou uma grande comoção em meados dos anos oitenta ao declarar ter tomado banho de sol e de mar completamente nua numa praia africana.




BILLY GRAHAN: O respeitado e completo evangelista foi conhecido por apreciar banhos em pêlo nas piscinas da Casa Branca em companhia do presidente americano Lyndon Johnson.



C. S. LEWIS: Respeitado conferencista e autor cristão, apreciava a tradicão de natação masculina sem roupas de Oxford e fez referências a vários amigos naturistas em seus escritos.



Obs: Não encontramos nenhuma fonte confiável para corroborar estas alegações.
Fonte: Genizah (com informações de BBC, GLOBO e sites de naturistas citados)

Pressão de evangélicos não é por fé, mas por poder

Dayanne Sousa
A pressão de setores religiosos – principalmente evangélicos – sobre uma definição contra o aborto da campanha da presidenciável Dilma Rousseff (PT) não tem motivação religiosa, mas é uma forma de barganhar por poder, avalia a cientista Maria das Dores Campos Machado. Ela destaca que, neste segundo turno presidencial – nem Dilma, nem José Serra (PSDB) têm perfil religioso. Para ela, qualquer um dos dois tem chances de ganhar o apoio desses grupos por negociação.
- Eu percebo que existe um pragmatismo muito grande nos grupos religiosos. Eles sabem que estão lidando com dois candidatos que não são religiosos.
Para a pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os pastores viram na polêmica uma chance de se estabelecerem na política.
- É um jogo e o que estas lideranças querem mostrar é que estão sendo reconhecidas.
Autora dos livros “Os Votos de Deus” e “Política e Religião”, Maria das Dores é diretora de um núcleo de estudos sobre religião e política. Em entrevista a Terra Magazine, ela critica o uso da discussão em torno da descriminalização do aborto nas eleições. “O fato de isso aparecer na eleição, mostra como o debate na sociedade é incipiente”. “Esse tema está sendo usado na eleição porque a sociedade não tem uma posição clara”.
Leia a entrevista na íntegra.

Terra Magazine – O que a senhora está achando do fato de os votos dos religiosos entrarem no centro dessa disputa pelo segundo turno? A questão do aborto, principalmente, está se tornando crucial para os presidenciáveis.
Maria das Dores Campos Machado - A religião sempre teve uma dimensão muito importante na cultura brasileira e aparece sempre em momentos importantes das eleições. Nos últimos anos, o movimento feminista conquistou alguns avanços junto ao Poder Executivo, há a questão do Plano Nacional de Direitos Humanos. Isso expressava um certo avanço dos setores mais progressistas do governo. O que há é uma reação dos grupos conservadores. Você não tem nenhum grupo religioso com uma única posição com relação às candidaturas que estão representadas agora. Tanto os evangélicos como os católicos estão divididos. Eles também percebem que a própria candidatura de José Serra também tem mais afinidade com posturas mais liberais. Ele já foi ministro da Saúde, tem medidas que facilitaram a contracepção de emergência.

Como é essa divisão?
No caso de Serra, os contatos que ele mantém são muito mais graças ao Geraldo Alckmin, que é um católico mais conservador, e alguns movimentos de renovação carismática muito ligados ao Geraldo Alckmin no interior de São Paulo. No caso de Dilma, a candidatura dela tem o apoio tanto do bispo Edir Macedo (líder da Igreja Universal) como do bispo Manoel Ferreira, que é uma grande liderança da Assembleia de Deus. Mas há uma grande resistência de grupos mais conservadores e grupos que não conseguem estabelecer um canal direto com as grandes candidaturas. Não se pode esquecer que os evangélicos têm um caráter muito pragmático. Eles sabem estabelecer uma separação entre o que é do mundo legislativo e o que é essa doutrina religiosa. Nesse sentido, eu acho que existe possibilidade de os dois candidatos conquistarem apoio desses grupos para além da visão ideológica ou da visão mais doutrinária de ser contra ou a favor do aborto. Eles sabem muito bem que eles estão lidando com dois atores políticos que não são religiosos, mas que podem dialogar com suas lideranças e podem dar um tratamento de ouvir mais essas lideranças na maneira de encaminhar o debate do aborto.

Mas essa possibilidade de negociar com os dois lados independe, então, da questão religiosa em si?
Eu percebo que existe um pragmatismo muito grande nos grupos religiosos. Até o final dos anos 90, o Lula era visto como um representante do “demônio” por vários pastores. Os pastores diziam que o Lula era endemoniado. Eu lembro que, na campanha em que o Lula foi vitorioso, o bispo Carlos Rodrigues disse: Nós criamos o veneno – que era considerar o Lula um demônio – nós vamos criar o antídoto. Existe por parte das lideranças certo pragmatismo. Uma vez convencidos de que as alianças políticas podem ser proveitosas para os seus grupos, eles podem rever toda a posição.

Mas esse apoio não iria, neste caso, ao candidato que se comprometesse a não descriminalizar o aborto?
Sim. O que eu estou querendo dizer é que esse tipo de intervenção – como o do pastor Malafaia (que declarou voto em Serra) – é criado em função de entenderem que eles estariam tendo uma maior capacidade de influência junto à Dilma ou ao Serra. Eu acho que há um pragmatismo aí por trás. Eu acredito que o pastor Silas Malafaia, quando declara o seu voto, ele é uma pessoa que faz a opinião pública. É um caráter extremamente pragmático. Eu acho que ele está aí tentando se cacifar no jogo da política. Ele não é só um ator religioso. Tem aí também um jogo das lideranças religiosas no sentido de serem reconhecidas enquanto atores políticos, atores que vão estabelecer uma série de acordos e vão ter acesso ao cenário político. A questão doutrinária é colocada na mesa para negociar ou para forçar um reconhecimento enquanto ator político.

Colocar essa questão do aborto às vésperas da eleição é uma ação eleitoreira? Em especial, o questionamento direto feito à postura da candidata Dilma por ela não ter se definido sobre o tema.
Existem coisas que acontecem dentro das igrejas. E existem coisas que, da Igreja, são levadas para a mídia. Que a mídia tem mais simpatia pela candidatura do Serra, isso é inegável. Mas, por exemplo, o Silas Malafaia está distribuindo CDs e DVDs contra o aborto. O que é curioso é que, por exemplo, não houve uma discussão em torno da homofobia – que também é um tema difícil. Por quê? Porque os homossexuais têm uma mobilização dentro da sociedade, então eles conseguem dar uma resposta de pronto, acionando a Justiça. Eles têm uma capacidade de mobilização muito maior que o movimento a favor do aborto. No caso dos homossexuais, por mais que os líderes religiosos sejam contra, eles não conseguem interferir nesse debate e nem trazer isso para o momento eleitoral. São temas que estão sendo usados porque a sociedade civil brasileira ainda não tem uma posição clara com relação ao aborto. Então, permitiu que esse tema fosse usado dessa forma.

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Fonte: Terra

O maior omelete do Mundo!


FORAM 110 MIL OVOS PARA PREPARAR IGUARIA DE SEIS TONELADAS
Em Ancara, Turquia, Chefs ainda usaram 432 litros de óleo para fritar o omelete na tentativa de entrar para o Guinness, livro dos recordes. Antiga marca estipulada era de 2009 (3,625 toneladas).

Kaká desaba


Dentro da Renascer em Cristo, são fortes os comentários de que Kaká está deixando a instituição. O jogador estaria descontente com a administração da igreja. Segundo a coluna apurou, há dois meses, uma parte do teto da sede da Renascer na Mooca (zona leste) teria caído sem deixar feridos. Kaká teria consultado um perito e constatado a negligência. Em janeiro de 2009, o teto de um templo no Cambuci (zona sul) também desabou, deixando nove mortos e 106 feridos. A assessoria da Renascer negou o novo desabamento e disse que o templo da Mooca passa apenas por reformas. A assessoria de Kaká afirmou não ter autorização para tratar dos assuntos religiosos do jogador.
Fonte: Folha Online / ZappingImagem: Internet
Muitos dizem que ele já saiu faz tempo…


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O lado www da bíblia

"Jesus Cristo ainda é mais famoso do que "sexo cristão"

FELIPE SÁLES

Um evangélico em dúvida sobre como aplacar as coceiras que lhe advêm da lascívia agora já tem escolha. Em vez de ir soltar seus demônios no púlpito ou no palco (para horror profundo ou secreto gozo da plateia de irmãos), ele pode, por exemplo, dar uma vasculhada no Goocrente, o portal “onde os sites cristãos se encontram”. Se ali dentro, contudo, o pobre-diabo buscar “sexo cristão”, encontrará apenas sites de namoro, pura caretice sabida e consabida, a não ser por um certo amorcristão.net, site onde se encontram evangélicos mais prontos, digamos assim, para abraçar o mundo. Os danados permitem buscar homem, mulher, ambos, casais e grupos, tudo a partir dos 16 anos.

O cristão atormentado não demoraria a reparar, mesmo à beira do vasto oceano virtual, que libertinagem evangélica só aporta mesmo é no Sexo Cristão, diretamente. Com três anos de existência, 30 mil visitantes por mês (mil por dia, 41,666 por hora, 0,69444 por minuto) e o aval do proprietário – o pastor Ramon Tessmann, de Santa Catarina –, parece ser este o único espaço cristão que de fato acolhe e sossega os mais inconfessáveis desejos.

Conta o pastor Ramon que a dúvida mais inusitada que ele recebeu foi sobre um chuveirinho amarelo. “A pessoa perguntou se era pecado.” Ela explicou o que era: uma posição em que a mulher fica em pé sobre o homem e faz pipi nele, ou vice-versa. “Achamos um tanto estranho”, disse o pastor, “pois em nossa região não conhecíamos esse apelido.”

Logo na primeira página o site propõe uma enquete polêmica: “O que você acha de o cristão ir a motéis?” Mais de 100 mil respostas depois, continuava pegando fogo, sem perspectiva de acordo entre os “sim, é pecado” e os “não, não vejo problema algum”. Há dez especialistas voluntários para responder às dúvidas mais frequentes. Uma das mais acessadas súplicas fogosas é, por exemplo, se “sexo oral entre casados é pecado”. Uma questão pertinente, afinal, explica o especialista que “se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies? (Colossenses 2: 20-21)”. É necessário grandes dotes hermenêuticos para extrair disso uma lição sobre o cunnilingus ou o fellatio, mas aí está. Quem acha que sexo oral é pecado “costuma dizer que ‘sua boca é para louvor e adoração ao Senhor’, e não para ‘essas coisas’”. Mas, pergunta outro: “Se a boca é somente para orar, louvar e pregar, não vai se alimentar mais?” De fato.

Entre as dúvidas frequentes está a seguinte: “Por que não apedrejamos os adúlteros hoje em dia?” Ora, pois. Afinal, “quando alguém transgredia a Lei de Deus na época de Moisés, a orientação dada pelo próprio Deus era que esta pessoa fosse apedrejada”. Antes que os traídos se animem, o site explica que Moisés, talvez injuriado com a esposa, inventou essa história de apedrejamento dizendo que era a Lei de Deus. Mas aí o Império Romano decretou que isso de tacar a primeira pedra nas atrevidas, só depois de transitado em julgado?– pelo júri imperial, claro. Aí Jesus, coitado, ficou rendido na história, porque “se Ele dissesse que a mulher não devia ser apedrejada, o acusariam de descumprir a Lei de Moisés, e se Ele autorizasse a condenação o acusariam de afrontar os romanos”.

O sucesso é tanto que já está em estudo a troca do layout e da programação do site, construído depois que Ramon, dono de outros portais evangélicos, começou a receber um quinhão considerável de perguntas a respeito de padrões sexuais dignos do evangelismo. O público mais arrependido ainda dispõe de um vasto consolo para suas angústias carnais no mundo da web. Afinal, Sua onipresença também se faz em megabytes. No Twitter, por exemplo, pode-se confessar os pecados com o próprio Senhor, via @ocriador, ou enviar 140 caracteres de súplicas ao Muro das Lamentações por meio do @TheKotel, cujo proprietário, Alon Nil, garante aos internautas do mundo inteiro um pedaço de papel enfiado entre as pedras sagradas de Jerusalém.

Claro, nem tudo é sexo. Pela net também é possível acender velas virtuais a tudo quanto é santo. Mil santinhos enviados por e-mail saem pela bagatela de 50 reais. O cristão moderno já pode até louvar a Deus via web ao vivo, ou comprar dvds de cultos anteriores. Pastores como Tupirani da Hora – um dos primeiros presos por intolerância religiosa do Brasil – já propagam suas convicções em tvs e rádios online, ao alcance do mundo inteiro e longe de intervenção policial. Existe até a Vida Nova – “a igreja de Jesus na internet” –, com transmissão de cultos inclusive do exterior e horário de atendimento via Skype. Já os católicos, além de contarem com um canal do Vaticano no YouTube, podem até se tornar amigos do papa Bento XVI?– embora a conta, na verdade, seja administrada por membros do Vaticano e não exatamente pelo papa.

O Todo-Poderoso está cada vez mais ao alcance de um clique. Afinal, “sexo cristão” (ainda) é menos famoso do que “Jesus Cristo”, segundo o Google. Em meados de julho, o placar de resultados marcava 219 mil contra 1 020 milhões.


Fonte: Revista Piauí

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O que é mais chato do que um petista?

Ok. Nem seria preciso explicar o porquê os petistas são chatos. Veja bem, não estou falando de pessoas comuns que votam no PT e no Lula. Nem mesmo dos candidatos, políticos, militantes ou cidadãos filiados ao PT. Estou falando daqueles sujeitos que sempre acham (ou melhor, têm certeza) de que ninguém no PT nunca erra e o partido (assim como a liderança) estão sempe com a razão.

Ah... e os outros partidos nunca acertam, sempre estão errado ou, ao menos, não tão corretos quanto o PT. Enfim, estou falando dos xiitas e fundamentalistas do PT.
São aqueles que defenderam princípios esquerdistas e socialistas históricos (bandeiras do PT) e que hoje mudaram de opinião apenas porque o PT também mudou.

São eles que, mesmo tendo defendido os direitos dos presos políticos da ditadura no Brasil, justificaram os abusos contra os presos políticos cubanos só porque o presidente Lula apoiou o Fidel. São eles que cobravam agricultura familiar e reforma agrária no governo FHC e hoje exaltam o agronegócio e se calam diante da má distribuição de terras, como se a praga do latifúndio trabalhasse hoje em favor dos bóias-frias.

Mas saiba, existem pessoas ainda mais chatas e incovenientes do que os petistas:
São os anti-petistas. Neste caso, a maioria são: religiosos judaico-cristãos fundamentalistas, empresários, ex-petistas e, é claro, tucanos.

Chamam os petistas, de petralhas. Chamam o presidente Lula de burro, sapo barbudo...
Chamam a Dilma e o Genoíno de terroristas. Chamam a CUT de subsidiária sindical do PT. Chamam os sem-terra de bandidos, guerrilheiros e terroristas sob a bandeira do MST - que seria um braço armado do PT. Dizem que a Dilma vai legalizar a maconha, o aborto e vai obrigar todas igrejas a realizarem o "casamento gay".

Dizem que quem vota no Lula é ignorante e o PT tem um plano mirabolante para transformar o Brasil numa Venezuela (de Hugo Chavez) para um futuro tipo de União de Repúblicas Socialistas Soviéticas (ou bolivarianas?) da América do Sul (URSSAS).
Quando atacam o bolsa-família ´dizem que é bolsa-esmola e que serve para sustentar a chachaça de vagabundos no nordeste. Quando defendem o bolsa-família dizem que quem criou foi o FHC e o lula 'só continuou o projeto'.

E a todo momento, principalmente em época de elição, lotam nossas caixas-postais com insurportáveis e-mails do tipo "Lei da mordaça" e cheios de boataria. São mensagens xingando o lula, o PT, o MST. E que falam de projetos de lei (sempre apresentados por deputados do PT) que cercearam a liberdade de imprensa, religiosa e etc... Falam que a Dilma é sapatona teria uma amante lésbica escondida. Acusam-na de dizer que, nem mesmo Jesus Cristo a impediria de ser eleita. Enfim, passam adiante todo tipo de mentiras sobre qualquer um que esteja vinculado ao PT, sem ao menos confirmar as afirmações que estão espalhando pela internet.
Ah... e passam todo tipo de piadinhas preconceituosas contra o Lula. Só contra ele. Contra a oposição, nunca.

Enfim, parece que encontramos no Brasil um tipo de pessoa mais chata do que o petista.
Ore a Deus para que nunca fique trancado numa sala com os dois tipos juntos - ou que receba e-mails dos dois em sua caixa-postal ao mesmo tempo. Afinal, nem o seu ouvido e nem o seu outlook são pinicos. E se você, lendo essa mensagem, percebeu que é um petista ou um anti-petista... reflita: Afinal, a virtude está no meio, no equilíbrio. Afinal, nem o Serra é a encarnação de Jesus e nem a Dilma é a besta do apocalipse, a serviço do Anticristo (Lula) - aquele que você pensa ser o filho do capeta.

Dilma lança manifesto contra uso da religião na política

A coligação da candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, lançou um manifesto no qual recomenda à militância da campanha o repúdio à exploração da religiosidade do eleitorado para conseguir votos. “Repudiamos aqueles que querem explorar cinicamente a religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais. Isso é um desrespeito às distintas confissões religiosas. Tentar introduzir o ódio entre as comunidades religiosas é um crime. Viola as melhores tradições de tolerância do povo brasileiro, que são admiradas em todo o mundo”, diz o texto divulgado hoje e que foi debatido ontem, em Brasília, na reunião da Executiva Nacional do PT.

O destaque para a questão religiosa tem o objetivo de rebater os boatos divulgados na internet de que a candidata petista seria a favor do aborto ou que desrespeitasse a liberdade religiosa. O manifesto também convoca a militância a ganhar as ruas neste segundo turno.

Confira, abaixo, a primeira versão do manifesto, que ainda iria passar por consultas para eventuais mudanças no texto:

COM DILMA NO SEGUNDO TURNO PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO

Os resultados da eleição do dia 3 de outubro são uma grande vitória do povo brasileiro.
Dilma Rousseff e Michel Temer obtiveram mais de 47 milhões de votos, patamar semelhante aos de Lula nos primeiros turnos das eleições de 2002 e 2006.
Os Partidos que integram a coligação vitoriosa elegeram 11 governadores e disputam o segundo turno em 10 outros estados.
Com mais de 350 deputados, sobre 513, entre aliados e coligados, o próximo Governo terá a maioria da Câmara Federal. Será também majoritário no Senado, com mais de 50 senadores. Terá, pelo menos, 734 deputados estaduais.
Estão reunidas, assim, todas as condições para a vitória definitiva em 31 de outubro.
Para tanto, é necessário clareza política e capacidade de mobilização.
A candidatura da oposição encontra-se mergulhada em contradições. Tentam atrair os verdes, mas não podem tirar o velho e conservador DEM de seu palanque. Denuncia “aparelhismos”, mas já está barganhando cargos em um possível ministério. Proclama-se democrata, mas persegue jornalistas e censura pesquisas. Seus partidários tentam sair dessa situação por meio de uma série de manobras que buscam confundir o debate político nacional. Espalham mentiras e acusações infundadas.
Mas o que está em jogo hoje no país é o confronto entre dois projetos.
De um lado, o Brasil do passado, da paralisia econômica, do gigantesco endividamento interno, mas também da dívida externa e da submissão ao FMI. O Brasil que quase foi à falência nas crises mundiais de 95, 97 e 98.
O Brasil de uma carga tributária que saltou de 27% para 35% do PIB. O Brasil dos apagões e do sucateamento da infra-estrutura. O Brasil da privataria, que torrou nossas empresas públicas por 100 bilhões de dólares e conseguiu a proeza de dobrar nossa dívida pública. E já estão anunciando novas privatizações, dentre elas a do Pré-Sal.
O Brasil do passado, do Governo FHC, que nosso adversário integrou, é o país que não soube enfrentar efetivamente a desigualdade social e não tinha vergonha de afirmar que uma parte da população brasileira era “inempregável”.
Era o Brasil do desmonte do Estado e da perseguição aos funcionários.
Era o Brasil das universidades à beira do colapso e da proibição do Governo Federal de custear escolas técnicas.
Mas, sobretudo, era o país da desesperança, de governantes de costas para seus vizinhos da América Latina, cabisbaixos diante das potências estrangeiras em cujos aeroportos se humilhavam tirando os sapatos.
Em oito anos, o Brasil começou a mudar. Uma grande transformação se iniciou e deverá continuar e aprofundar-se no Governo Dilma.
O Brasil de Lula, hoje, e o de Dilma, amanhã, é e será o país do crescimento acelerado. Mas um país que cresce porque distribui renda. Que retirou 28 milhões de homens e mulheres da pobreza. Que possibilitou a ascensão social de 36 milhões de brasileiros. Que criou mais de 14 milhões de empregos formais. Que expandiu o crédito, sobretudo para os de baixo. Que fez crescer sete vezes os recursos para a agricultura familiar. E que fez tudo isso sem inflação ou ameaça dela. O Brasil de Lula e de Dilma é o país que possui uma das mais baixas dívidas internas do mundo. Que deixou de ser devedor internacional, passando à condição de credor. Que não é mais servo do FMI. É o país que enfrentou com tranqüilidade a mais grave crise econômica mundial. Foi o último a sofrer seus efeitos e o primeiro a sair dela.
Dilma continuará a reconstruir e fortalecer o Estado e a valorizar o funcionalismo. O Brasil de Lula e de Dilma está reconstruindo aceleradamente sua infra-estrutura energética, seus portos e ferrovias. É o Brasil do PAC. O Brasil do Pré Sal. É o Brasil do Minha Casa, Minha Vida, que vai continuar enfrentando o problema da moradia, sobretudo para as famílias de baixa renda.
Nosso desenvolvimento continuará sendo ambientalmente equilibrado, como demonstram os êxitos que tivemos no combate ao desmatamento e na construção de alternativas energéticas limpas. Manteremos essa posição nos debates internacionais sobre a mudança do clima.
No Brasil de Lula e de Dilma foi aprovado o FUNDEB que propiciou melhoria salarial aos professores da educação básica. É o país onde os salários dos professores universitários tiveram considerável elevação. Onde se criaram 14 novas universidades e 124 extensões universitárias. Onde mais de 700 mil estudantes carentes foram beneficiados com as bolsas de estudo do Prouni e 214 Escolas Técnicas Federais foram criadas. Onde 40 bilhões de reais foram investidos em ciência e tecnologia. Esse Brasil continuará a desenvolver-se porque o Governo Dilma cuidará da pré-escola à pós-graduação e fará da educação de qualidade o centro de suas preocupações. O Brasil de Dilma continuará dando proteção à maternidade e protegendo, com políticas públicas, as mulheres da violência doméstica. Será o Brasil que dará prosseguimento às políticas de promoção da igualdade racial.
Os alicerces de um grande Brasil foram criados. Mais que isso, muitas das paredes desta nova casa já estão erguidas.
A obra não vai parar.
Vamos prosseguir no esforço de dar saúde de qualidade com mais UPAS, Samu, Brasil Sorridente, Médicos de Família.
Vamos continuar o grande trabalho de garantir a segurança de todos os brasileiros, com repressão ao crime organizado e controle da fronteiras, mas, sobretudo, com respeito aos direitos humanos, ações sociais e a participação da sociedade, como vem acontecendo com as UPP.
Vamos continuar a ser um país soberano, solidário com seus vizinhos. Um país que luta pela paz no mundo, pela democracia, pelo respeito aos direitos humanos. Um país que luta por uma nova ordem econômica e política mundial mais justa e equilibrada.
Os brasileiros continuarão a ter orgulho de seu país.
Mas, sobretudo queremos aprofundar nossa democracia. A grande vitória que a coligação PARA O BRASIL SEGUIR MUDANDO obteve nas eleições para o Congresso Nacional permitirá que Dilma Rousseff tenha uma sólida base de sustentação parlamentar.
Diferentemente do que ocorreu entre 1995 e 2002, a nova maioria no Congresso não é resultado de acordos pós-eleitorais. Ela é o resultado da vontade popular expressa nas urnas. Essa maioria não será instrumento para esmagar as oposições, como no passado. Queremos um Brasil unido em sua diversidade política, étnica, cultural e religiosa.
Por essa razão repudiamos aqueles que querem explorar cinicamente a religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais. Isso é um desrespeito às distintas confissões religiosas. Tentar introduzir o ódio entre as comunidades religiosas é um crime. Viola as melhores tradições de tolerância do povo brasileiro, que são admiradas em todo o mundo.
O Brasil republicano é um Estado laico que respeita todas as convicções religiosas. Não permitiremos que nos tentem dividir.
O Brasil de Dilma, assim como o de Lula, é e será uma terra de liberdade, onde todos poderão, sem qualquer tipo de censura, expressar suas idéias e convicções.
Será o Brasil que se ocupará de forma prioritária das crianças e dos jovens, abrindo-lhes as portas do futuro. Por essa razão dará ênfase à educação e à cultura.
Mas será também um país que cuidará de seus idosos, de suas condições de vida, de sua saúde e de sua dignidade.
Sabemos que os milhões que estiveram conosco até agora serão muitos mais amanhã.
Para dar continuidade a essa construção iniciada em 2003 convocamos todos os homens e mulheres deste país. A hora é de mobilização. É importante que nas ruas, nas escolas, nas fábricas e nos campos a voz da mudança se faça ouvir mais fortemente do que a voz do atraso, da calúnia, do preconceito, da mentira, dos privilégios.
À luta, até a vitória.

Fontes: IG, Revista Carta Capital e site Vermelho