sábado, 20 de fevereiro de 2010

Avatar: Pandora é o Brasil


Neste final de semana assisti ao filme Avatar, do diretor James Cameron, sucesso de bilheteria em todo mundo. Confesso que, na primeira vez que ouvi (e vi imagens e traillers) sobre o filme, achei que provavelmente fosse uma besteira: mais um daqueles filmes high-tech futuristas em 3D com uma história fraquíssima e voltado para o público nerd-hacker, além das figuras estranhas do Cosplay. Ou seja, nem cogitei a idéia de assistir ao suposto besteirol high-tech.

E não é que eu estava profundamente enganado. Após receber uma série de críticas positivas sobre o filme, começei a me sentir seduzido a assistí-lo. Pois bem, resolvi arriscar e tive uma agradável surpresa.

O filme realmente é muito mais profundo que eu supunha, carregado de alegorias e referências a outros filmes, períodos da história da humanidade e religião. Tanto que chega ao ponto de ser uma releitura do choque de civilizações e carregado com uma carga espiritual mais forte do que a grande maioria das religiões que conhecemos.

O roteiro narra um conflito épico no selvagem planeta Pandora, que seria na verdade uma das luas de Pliferno, um dos três gigantes e gasosos planetas fictícios na orbita da estrela Alpha Centauri. Pandora apresenta semelhanças e referências incríveis com o continente americano e, por consequência, o nosso Brasil.

Mas, pelo nome, a referência do lugar é à mitologia grega: Pandora, segundo a mitologia grega, a primeira mulher criada por Zeus como forma de punição aos homens pela ousadia de Prometeu mulher, criada por Zeus como punição pela ousadia do titã Prometeu em roubar o segredo do fogo (dos céus) e entregá-lo aos homens. Foi ela quem abriu a famosa "caixa de Pandora"(que continha todos os males), mesmo após Epimeteu ter-lhe dito que não a abrisse. Pandora não resistiu à curiosidade (como a maioria do gênero), abriu a caixa e, a partir daí, os homens foram afligidos por todos os males.

Voltando ao filme... em Pandora, os colonizadores humanos avançam cada vez mais sobre o território dos Na'vi (os nativos humanoides azuis). O objetivo dos militares (patrocinados por empresas exploradoras) é realmente expulsar (mesmo que à base da guerra) os Na'vi para o mais longe possível e se apropriar dos recursos do planeta.

Acontece que, enquanto os humanos combatem com moderníssimas armas de fogo, os nativos combatem com arcos e flechas. Além disso, os Na'vi vivem em harmonia com a natureza e são considerados primitivos pelos humanos. Sacou aí a referência ao histórico choque de civilizações entre índios do continente americano e os impérios europeus na era dos descobrimentos? Está começando entender porque Avatar poderia muito bem ser a américa espanhola ou portuguesa?

Vale lembrar que a "aldeia" dos Na'vi está sobre uma imensa reserva de um precioso minério chamado Unobtainium, cobiçadíssimo pelos humanos tanto quanto o ouro (e os El Dourados) eram perseguidos pelos europeus.

Além de usar a guerra, o homem-branco tenta outra ferramentas para convecer o homem-azul a abandonar sua terra sagrada: os avatares, corpos humano-Na'vo (metade humanos e metade nativos) geneticamente construídos e modificados para serm remotamente controlados por cientistas humanos. Esses avatares possuem aparência identica à dos Na'vi e são enviados "camuflados" para interagir com os nativos e convencê-los a se renderem.

A estratégia dos cientistas é bem parecida com função que as "Missões Católicas" executavam nas américas espanhola e portuguesa. Catequizando os índios, ensinando o idioma e os costumas da civilização - além, é claro, de tentar convencê-los a se renderem ou fugirem para "missões" mais afastadas. Mas é claro que no futuro, assim como hoje, a maior religião é a própria ciência, onde o homem é o deus do próprio homem. Portanto, não há espaço para o misticismo e a catequização do futuro (pode ter certeza) será a científica.

Falanto em religião, outro detalhe que não pode ser esquecido é que os Na'vi veneram uma divindade chamada Eywa (uma alusão ao Deus do nome impronunciável Iehovah?).

Mas o fio-condutor da história é o caso de amor entre Jake Sully (um humano interpretado Sam Worthington) e a nativaNeytiri(Zoë Saldaña), a princesa do clã Omaticaya.

Perdido no meio da selva de Pandora e atacado por animais selvagens, Jake "encarnado" num avatar é salvo por Neytiri que, inicialmente quer deixá-lo mas, após ele ser coberto por sementes da Árvore da Vida (a mesma do Jardim do Éden?), decide levá-lo para a"aldeia"... Daí em diante,
os dois passam a viver um romance ao estilo Dança com Lobos, Pocahontas ou Iracema (para os nacionalista tupiniquins) e Jake, cada vez mais, começa a se converter em Na'vi (ao invés de convertê-los).

Avatar é um dos poucos filmes que me deram uma péssiam primeira impressão e, ainda, conseguiram me convencer de que meus preconceitos estavam equivocados.
O filme não é unanimidade, mas é bem construído e causa emoções. Bem melhor (mas muito mesmo) do que Titanic (outro famoso filme do mesmo diretor). Recomendo a versão 3D, mas vale assistir qualquer uma das duas.

Saulo Luz

5 comentários:

Anônimo disse...

você não disse porque pandora é o Brasil,que relação o filme tem com adescobrimento do Brasil?Isso para mim é um resumo do filme e sua opnião a essa altura do campeonato o Brasil inteiro já assistil ao filme.

Élen Rúbia disse...

Bom, eu discordo do comentário anterior, pois tem tudo a ver com a história do descobrimento do Brasil. Vou explicar, Os portugueses (humanos)chegaram na América (Pandora) e encontraram os índios (avatares), em busca do ouro e do pau-brasil lutaram com os índios, infelizmente nossa história não tem um final tão feliz quanto a do filme. Isso acontece, por causa do etnocentrismo, pessoas que julgam ser acima dos outros por causa de sua cultura, e acham que são melhores em tudo. Não é porque os humanos tinham tecnologia que eles eram melhores que os avastares, também podemos citar a sociedade consumista em que vivemos, que só pensa no lucro, no dinheiro para si mesmo, sem pensar que outras pessoas podem estar sofrendo por causa disso. Esse filme é uma crítica para a sociedade atual, e tem tudo a ver com a história do Brasil!

Élen Rúbia disse...

Bom, eu discordo do comentário anterior, pois tem tudo a ver com a história do descobrimento do Brasil. Vou explicar, Os portugueses (humanos)chegaram na América (Pandora) e encontraram os índios (avatares), em busca do ouro e do pau-brasil lutaram com os índios, infelizmente nossa história não tem um final tão feliz quanto a do filme. Isso acontece, por causa do etnocentrismo, pessoas que julgam ser acima dos outros por causa de sua cultura, e acham que são melhores em tudo. Não é porque os humanos tinham tecnologia que eles eram melhores que os avastares, também podemos citar a sociedade consumista em que vivemos, que só pensa no lucro, no dinheiro para si mesmo, sem pensar que outras pessoas podem estar sofrendo por causa disso. Esse filme é uma crítica para a sociedade atual, e tem tudo a ver com a história do Brasil!

Élen Rúbia disse...

Bom, eu discordo do comentário anterior, pois tem tudo a ver com a história do descobrimento do Brasil. Vou explicar, Os portugueses (humanos)chegaram na América (Pandora) e encontraram os índios (avatares), em busca do ouro e do pau-brasil lutaram com os índios, infelizmente nossa história não tem um final tão feliz quanto a do filme. Isso acontece, por causa do etnocentrismo, pessoas que julgam ser acima dos outros por causa de sua cultura, e acham que são melhores em tudo. Não é porque os humanos tinham tecnologia que eles eram melhores que os avastares, também podemos citar a sociedade consumista em que vivemos, que só pensa no lucro, no dinheiro para si mesmo, sem pensar que outras pessoas podem estar sofrendo por causa disso. Esse filme é uma crítica para a sociedade atual, e tem tudo a ver com a história do Brasil!

Greece disse...

eu achei bom voce ter feito isso,pois me ajudou muito a perceber e a resumir um trabalho meu.