quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

As besteiras que o Teu povo canta

Ana Paula Valadão: a rainha da selva do mundo gospel


Depois de muito tempo sem postar nada (muito mesmo), voltei para presenteá-los com mais uma opinião contraditória (a contradição é a natureza da humanidade) sobre um assunto polêmico (para variar, né?).

Pois bem, o assunto de hoje é um questionamento sobre aquilo que eu, você e milhares de igrejas neste país estamos cantando. Você já parou para pensar na letra projetada pelo datashow (ou retroprojetor) no momento dos cânticos comunitários? Você canta em ritmo de oração ou apenas vomita palavras da sua boca? Você sabe o que está cantando/desejando/?

Pois é... não é preciso ser formado em Teologia para saber que algo muito errado está acontecendo com a música cristã. E isso não é algo isolado, apenas do núcleo evangélico/gospel neopentecostal.

Se, durante décadas, a Teologia da Prosperidade (inclua aí também todos os extremismos dos fundamentalistas neopentecostais) não conseguiu entrar nas igrejas protestantes tradicionais pelo púlpito (devido à boa e razoável resistência dos pastores e seus sermões), essa visão de mundo encontrou outro modo de atingir seu objetivo: o micofrone do líder do "grupo de louvor".

Termos como "conquista", "tomar posse", "receber a cura", "eu profetizo", "eu determino", "queima", "faz chover", "toque no altar" - e outras formas arrogantes e presunçosas de "professar a fé - se tornaram comuns nas canções e "ministrações" da igreja. Isso chegou a tal ponto que está surgindo por aí um novo idioma: o Evangeliquez.

Algumas músicas são uma declaração de amor para Jesus. Tudo bem se fosse uma declaração de servo para senhor, criatura para criador. Mas, não! São verdadeiras cartas apaixonadas entre amantes, parece até o livro de Cantares de Salomão: "Quero te ver! Quero te tocar! Quero te Abraçar". São letras quase sexuais e performaces quase orgásmicas,de quem ministra os cânticos. Já nos dias de carência e ciúmes, o refrão é "Olha pra mim". Isso sem falar das performances leoninas (com a da foto).

Ok, não sou o dono da razão. Não quero ser o chato de plantão e também não estou querendo julgar o que cada compositor quis dizer para Deus no momento da composição da canção. Algumas tem ligação com alguma história bíblica. Porém, está claro que essas músicas não são feitas para serem cantadas toda hora. Algumas são músicas pessoais, intimas e que poderiam ser guardadas para o momento de louvor particular de cada um. Outras poderiam até serem cantadas em público, com uma frequência menor e adequadas ao momento da igreja e à liturgia do culto.

Mas o problema é que as besteiras que a "raça eleita" canta não param por aí. Não bastasse o emocionalismo e o chororô evangélico (não são Emos cantando Fresno, são crentes mesmo), algumas músicas ultrapassam o limite e chegam a cometer verdadeiras heresias. "
"Eu nunca saberei o preço dos meus pecados lá na Cruz", quando o correto seria cantar 'Eu sei foi pago um alto preço...'.

"Não importa a multidão, só eu sei o que eu preciso", será que só eu sei mesmo? Que presunção. Eu não sei de nada, quem sabe é o Senhor.

Em "Como Zaqueu", Régis Danese propaga "Quero amar somente a Ti", quanto Jesus ordenou que amassemos o próximo com a nós mesmos e o inimigo também.

Até David Quinlan na canção "Fogo e Glória" acha que pode abençoar ao próprio Deus.

Enfim, o que nos resta é orar e pedir.

"Senhor, sabemos que seu 'ouvido' não é pinico. Mas perdoa, Senhor, as besteiras que o Teu povo canta!"

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