quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ser Diferente e Igual a Todo Mundo

Esta semana li o livro de Eclesiastes, escrito (acredita-se) pelo Rei Salomão, filho de Davi. Já o havia lido antes, uma ou duas vezes, mas desta vez, as palavras invadiam minha consciência de forma diferente. Percebi alguns aspectos que não havia percebido antes e aprendi algumas coisas interessantes (e perturbadoras).

Na verdade, apenas reaprendi coisas que já sabia. Todos nós possuímos conhecimentos que, consciente ou inconscientemente, negligenciamos. Sócrates já dizia que todo o conhecimento já está dentro de nós e que precisamos apenas pari-lo.

Enfim, sempre fui considerado uma pessoa “diferente”. Desde que me entendo por gente as coisas menos populares me agradam mais do que as coisas populares. A começar pelo gosto pelo Heavy Metal, último estilo musical que se espera que um filho de pastor vá gostar. Bem, não era o único, logo logo encontrei uma turma de amigos cristãos que também curtiam um Rock ‘n Roll pesado.

No passar dos dias, estes amigos começaram a tender para duas ramificações do Rock Pesado chamadas “Hard Core” e “New Metal”, eu, diferente, tendi para uma totalmente oposta: o "Death Metal". Posteriormente, indo contra toda a tendência de Rockeiro que tinha, comecei a escutar (e apreciar) música brasileira de raiz e música clássica (que também não são estilos musicais muito apreciados pela população na minha faixa etária).

Porém, ainda quando estava dentro desse âmbito underground do Heavy Metal, onde pouca importância se dá às regras, às normas e ao estudo, decidi ser diferente e entrei para um Seminário Teológico. Dentro do seminário, indo contra o "normal" comecei a ler livros e estudar por conta própria assuntos que nenhum cristão gosta de estudar: Filosofia e Ciência.

Saí do Seminário poucos meses após entrar. Não me sentia à vontade com as regras. O Seminário seguia uma linha soteriológica Arminiana e eu em contra-partida era Calvinista. Quanto à constituição do ser humano, o seminário seguia a linha tricotomista enquanto eu era dicotomista.

Sempre fui diferente.

Aliás, acho que sempre fui eu mesmo, por isso sempre fui diferente.

Voltando ao Eclesiástes, a impressão que nos dá ao ler este livro é que Salomão estava fatigado. Após observar a forma como as coisas ocorriam no mundo, ele percebeu que o mundo não tem sentido, que nada é novo. Tudo é apenas uma grande repetição.

As palavras “sempre” e “nunca” são muito utilizadas para demonstrar que o que aconteceu nesta geração sempre aconteceu e sempre acontecerá e que o que não aconteceu nesta geração nunca aconteceu e nunca acontecerá.

Atormentava Salomão observar que ao morrer as pessoas não levarão nada do que elas conseguiram aqui. As pessoas trabalham, se sacrificam de sol a sol, e suas riquezas vão ficar aqui para alguém que não fez nada para a merecê-las. Tanto o trabalhador quanto o preguiçoso morrerão nus, sem levar nada daqui. Salomão se referiu a isso no livro de Eclesiástes como “mal terrível”.

Para o desespero de Salomão tudo era sempre igual. Tudo, no fim, é correr atrás do vento. Tudo, enfim, é vaidade.

Caiu a minha ficha. Sempre me orgulhei do fato de ser diferente, de não compactuar com o que eu considerava “porcaria” no mundo que vivemos. Ouvir uma pessoa dizer “Nossa! Você é muito diferente!” era tão prazeroso quanto ouvir a 5ª Sinfonia de Beethoven. Mas, no fim, o que eu sou senão mais um que corre atrás do vento?

Criticar a vaidade do mundo é uma vaidade também. Criticar a Globo, criticar o Bush, criticar o Lula, criticar o Capitalismo, criticar o MST, criticar o Dunga. Tudo é vaidade. Somos todos vaidosos e todos estamos correndo atrás do vento.

Mesmo sendo diferente, eu sou apenas um “Maria vai com as outras” e, mesmo que não fosse, que vantagem eu teria em relação a um que é? Ambos vamos para o mesmo lugar após a morte sem levar nada daqui.

A descoberta deste conhecimento realmente traz certo desespero.

Salomão diz que: “Pois quanto maior a sabedoria, maior é sofrimento; e quanto maior o conhecimento, maior o desgosto”. (Ec 1:18).

O maior conhecimento que podemos atingir é que não sabemos nada, dizia Sócrates. Somente quem não sabe nada afirma saber alguma coisa.

Melhor terminar aqui, escrever este texto me deixou mais confuso do que eu já estava antes de escrevê-lo.


Eliel Vieira, no blog Descontruindo

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