sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Apelo

Existe uma maneira, Senhor Presidente, para se resolver de maneira rápida a questão Battisti, evitando-se que, com tantas mentiras e imprecisões espalhadas por setores entreguistas da imprensa, ela envenene a opinião pública e provoque uma gangrena.

O Brasil não pode aceitar que um premiê italiano, mal visto e tantas vezes acusado de corrupto, numa Itália cujo prefeito de sua capital, Roma, é conhecido por sua antiga militância neofascista, assim como são neofascistas confessos deputado e membros do governo pertencentes à Liga separatista do Norte, nos diga que medidas devem ser tomadas com relação ao ex-militante italiano Cesare Battisti.

Berlusconi é o pai da Diretriz do Retorno, que tanto mal tem causado aos nossos emigrantes na Europa, e acaba de instituir a delação, a deduragem como lei para os médicos italianos, obrigados a denunciarem todo emigrante clandestino que for ao consultório ou hospital, para ser rapidamente expulso. É com ele, que muitos de nossos jornalistas, alguns de renome, decidiram colaborar, mesmo se o clima já é mal cheiroso na Europa.

Não podemos simular surdez diante das palavras do deputado neofascista Ettore Pirovano, da Liga do Norte, de que “o Brasil é mais conhecido por suas dançarinas (putas) do que por seus juristas” numa ofensa a nossos advogados, magistrados e ao nosso povo, nem podemos tolerar a petulância do partido Aliança Nacional de levar ao Conselho da Europa a questão Battisti, com o apoio do Grupo Europa de Nações de direita e extrema-direita, num gesto digno da época colonial.

Nem podemos aceitar que um país estrangeiro tente criar conflitos e incompatibilidades entre órgãos institucionais brasileiros, numa clara intervenção na nossa política interna, fomentando divergências, fazendo ameaças e chantagens, utilizando-se de jornais, revistas e jornalistas que, por interesses políticos e pessoais, reforçam as pressões italianas com o objetivo de provocar uma crise política no Brasil e atingir seu prestígio de Presidente do País.

Silvio Berlusconi representa hoje a Europa próxima da extrema-direita, num clima que faz pensar nos anos 30 do século passado, quando se fazia a caça a judeus, ciganos e comunistas. Berlusconi reinventa Mussolini e faz a caça aos imigrantes, entre eles os brasileiros, os africanos, os árabes, os ciganos, os rumenos e ainda tem tempo para correr atrás de um antigo militante dos anos 70, de uma época italiana ainda mais podre que a atual, quando os julgamentos e processos era feitos ao interesse do governo, chefiado por um premiê mafioso.

Senhor Presidente Lula, dizem que nos próximos dias, o STF que concede habeas-corpus a corruptos com facilidade, será severo com o ministro Tarso Genro e optará pela extradição de Battisti, anulando a validade do seu ato de lhe conceder o refúgio. O que menos interessa é a vida de um homem, para os que se comprazem com a idéia de ver contestada a decisão ministerial e o Presidente obrigado a assinar o ato de extradição depois de ter afirmado caucionar a decisão de Genro.

Senhor Presidente, eu dizia no início desta carta haver uma maneira rápida e simples para se pôr um fim a essa questão Battisti, e aos desejos de uns poucos de atingir e diminuir sua popularidade. Minha sugestão, tenho certeza, terá o apoio da grande maioria dos 84% que apóiam e confiam no seu governo.

Antes que o STF tente instaurar a cizânia dentro do governo, aumentando a ressonância dos frustrados da oposição, já em campanha eleitoral, Vossa Excia. pode esvaziar as intromissões italianas na nossa soberania e as tentativas maquiavélicas para comprometer a sábia maneira como tem dirigido o País.

É simples - conceda hoje ou nos próximos dias o indulto que lhe é permitido pela Constituição ao fugitivo Cesare Battisti, garantindo sua permanência de Battisti no Brasil, ratificando a decisão já tomada pelo ministro Tarso Genro. Não havendo mais o que julgar, bastará uma petição para se suspender a encenação programada pelo STF. Se o STF insistir e quiser considerar seu gesto como inconstitucional, então será evidente haver uma intenção golpista alimentando a inexplicável dimensão a que chegou o caso Battisti.

Não tenha receio quanto a repercussões negativas de seu gesto. Será considerado pelo povo, já farto das ofensas feitas por políticos e imprensa italianos, como a bordoada necessária na cabeça da serpente. Passada uma semana, não se falará mais nisso e tudo se esquecerá na alegria do Carnaval. Senhor Presidente, dizem que a França perdeu o Mundial porque o Zinedine Zidane não suportou as ofensas, do tipo putas brasileiras do deputado neofascista italiano, que lhe fazia o italiano Materazzi e revidou. Se tivesse continuado a jogar soberano no seu jogo, a vitória teria sido dos franceses e dos argelinos.

Não se preocupe com a reação do Silvio Berlusconi, apesar das ameaças e micagens Berlusconi fechou o bico e escondeu a viola no saco, quando o presidente francês Nicolas Sarkozy usou o direito do perdão ou do indulto em favor de uma mulher quase morta de medo de ser extraditada para uma prisão italiana. E, veja bem, Marina Petrella não era Cesare Battisti, participante de um grupúsculo extremista e acusado injustamente de crimes não cometidos. Marina Petrella era uma verdadeira participante da Brigada Vermelha.

Senhor Presidente, usando do seu direito de dar indulto a Cesare Battisti terá salvado uma vida, terá salvado um princípio, terá honrado nossa soberania e receberá o agradecimento de todos quantos resistiram à ditadura militar em nome da legalidade, da independência e da liberdade, e de todos quantos amam o Brasil e participam do seu esforço para torná-lo uma grande nação.

Presidente Lula da Silva indulte, salve o nosso companheiro Cesare Battisti.

Rui Martins, um simples cidadão em defesa de um companheiro italiano.

fonte: Direto da redação
[via PavaBlog]

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