segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Só a Bíblia salva


Bíblia pára bala e salva vida de cabeleireiro no estado do Espírito Santo

Uma Bíblia levada junto ao peito, dentro do bolso da camisa, foi a salvação do cabeleireiro N.G.C., 45 anos. Mirado na altura do coração, ele só não levou o tiro porque a bala ficou encravada no livro

O fato aconteceu na noite de quinta-feira, em Jacaraípe, na Serra. Pode ser apenas coincidência, mas a bala parou justamente no segundo livro de Reis, no capítulo 1, entre os versículos 14 e 16. O texto fala da falta de fé em Deus do rei de Israel, que doente, mandara emissários fazer consultas a um deus pagão.

"É uma coisa para se pensar bastante a respeito", disse o cabeleireiro, que afirmou ser muito religioso.
Segundo ele, o crime não se caracterizou como um assalto. "Eu estava com R$ 800,00 na carteira, com relógio e outros objetos. Não pediram nada. Já chegaram querendo me matar mesmo", falou.

Perseguição
O cabeleireiro contou que havia saído de casa às 19h40 para conversar com um sobrinho numa igreja perto da casa dele. "Não o encontrei. Então fui até o comércio dele, que também estava fechado. Quando retornava, percebi, já no bairro Manguinhos, que estava sendo seguido por outro carro, um Gol branco", disse a vítima.

Quando colocou o carro na garagem e foi fechar o portão, N. foi abordado por um dos ocupantes do outro veículo. O homem já estava com a arma na mão. "Quando vi, fui em direção a ele, para tentar impedir que atirasse. Mas ele disparou e me acertou de raspão na testa. Caí, e ele atirou de novo, desta vez no peito", frisou.

O cabeleireiro foi socorrido e levado para o Hospital Metropolitano, em Laranjeiras, na Serra, onde foi medicado e liberado logo a seguir. Ele disse que não conhecia o atirador. O caso será investigado pela Delegacia de Jacaraípe.

Desabafo
"Foi intervenção divina, com certeza"
N.G.C. Cabeleireiro

Ainda bastante abalado, o cabeleireiro N.G.C. conversou com A GAZETA a respeito do atentado que sofreu, em Jacaraípe, na Serra, na noite de quinta-feira. Ele considera que foi salvo por um "milagre".

Como o senhor encara o que lhe aconteceu?
Foi intervenção divina, com certeza.

O senhor se considera uma pessoa religiosa?
Sim. Vou à igreja todos os dias.

Esse crime foi uma tentativa de assalto?
Não acredito nisso. Poderiam ter roubado o dinheiro que eu tinha, mas não pediram nada.

Então foi uma tentativa de homicídio?
Acredito que sim. A pessoa queria me matar mesmo.

O senhor tem idéia do que pode ter motivado isso?
Não sei. Vou esperar a polícia investigar. Não posso acusar alguém, sob pena de cometer injustiças.

Sobre o fato de onde a bala parou na Bíblia, tem algo a falar?
Nem vi onde foi. Mas vou ler e meditar bastante sobre o capítulo. Essa é a segunda vez que a Bíblia me salva.

Qual foi a primeira?
A primeira foi quando tomei conhecimento da Palavra. E, agora, houve esse fato físico.

Proximidade de atirador ajudou vítima
O fato de o cabeleireiro N.G.C. ter escapado com vida ao atentado sofrido na noite de quinta-feira, também pode ter explicações científicas, além do aparente milagre.

Segundo informações do Setor de Balística do Departamento de Perícia Criminal da Polícia Civil, vários são os fatores que podem explicar o ocorrido: tempo e calibre da arma, tipo de munição, espessura da Bíblia e a distância do atirador para a vítima.

Uma perita afirmou que a Bíblia fez o papel de colete à prova de balas. Tanto que o cabeleireiro apresentava um hematoma sob o mamilo esquerdo, onde sofreu o impacto da bala.

Para o perito criminal Antônio Carlos de Lima, o fato de a vítima ter avançado na direção do autor do disparo acabou colaborando. "A bala tem que percorrer um espaço mínimo para desenvolver velocidade. Ela começa com pouca velocidade, atinge um máximo, estabiliza e depois vai caindo. Ela não atingiu a velocidade necessária para alcançar o seu poder ofensivo", diz.

O tipo de munição pode ter feito com que a bala ficasse parada no meio da Bíblia. Se tiver sido recarregada de forma caseira, o projétil perde poder ofensivo. Além disso, o papel não é algo tão frágil assim. "Ele segura muito. Quanto maior a superfície, mais difícil penetrar."

Fonte: A Gazeta

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