terça-feira, 20 de janeiro de 2009

'Irmãos' da Renascer agrediram jornalistas após desabamento

Maria Manso, da Rede Globo; Heloísa Gomide, da Globonews; Sílvia Damasceno, da Record; Daniel Lian e Francisco Palitos, da Jovem Pan. Estes foram alguns dos profissionais agredidos por grupo de fiéis da Igreja Renascer em Cristo que, descontrolados pelo desabamento da sua sede mundial, na Avenida Lins de Vasconcelos, no Cambuci, tentavam impedir a cobertura da mídia.

“Fomos um dos primeiros a chegar (equipe da Rede Globo). Maria (Manso) estava relatando o incidente quando nós (repórter César Menezes e equipe) estávamos buscando uma casa para narrar, de cima, o desabamento. Fiquei sabendo que estavam batendo, dando soco na Maria e vim correndo. Quatro homens fizeram uma roda e deram socos nela. Gritavam que não queriam a mídia lá”, relata o jornalista da TV Globo.

Maria Manso ficou “chocada”, conta César Menezes. A equipe da Globo ficou tão receosa que começou a fazer as entradas, para o Fantástico, a quatro quarteirões do incidente. Heloísa e Sílvia contam que também foram empurradas.

A população se estendia a sete quarteirões ao redor da Igreja Renascer por volta das 19h, quando a equipe de resgate tentava realizar seu trabalho. Havia muitos populares; os quarteirões estavam lotados; as lojas fechadas. Fiéis da Igreja se dividiam em modos de ação. Alguns clamavam a Jesus para que os "maus-elementos", que não estavam lá na hora do resgate de boa-fé, fossem embora e deixassem a equipe dos Bombeiros e enfermeiros trabalharem.

Muitos foram convocados para ajudar, levando água para quem estava trabalhando e consolando fiéis que tinham vítimas no local. Outros, com medo de que a imprensa fizesse um trabalho "contra" a Igreja Renascer, agrediram os jornalistas como método de prevenção. Vira-e-mexe, um grupo de cerca de dez pessoas ultrapassava o cordão de isolamento da Polícia Militar e tentava fazer um cordão humano na frente da igreja como forma de manifestação da fé e, também, numa clara oposição aos jornalistas.

Marcelo Moreira, da TV Bandeirantes, apesar de não ser agredido, bateu boca com os fiéis, buscando defender o seu trabalho. Pedia, insistentemente, para que a polícia retirasse aqueles fiéis e era prontamente atendido. Conta à reportagem que o jornalista free-lancer Paulo Teixeira também foi agredido e teve sua câmera roubada.

Daniel Lian, repórter da Jovem Pan, passou o pão que o diabo amassou. Foi um dos primeiros do veículo rádio a chegar. “Eu tomei tapa. Um fiel desligou meu telefone”, conta Lian. O técnico de áudio e externas Francisco Palitos, ao tentar ultrapassar o cordão de isolamento com os equipamentos de áudio, também levou. “Levei soco, cotovelada, empurrão”.

O que pensa a população sobre a mídia?

O fato é que, no meio de tanta gente, para um seleto grupo de fiéis da Igreja Renascer a imprensa não era bem-vista, era odiada. A repórter do Comunique-se tenta falar com um grupo de fiéis. Uma delas atende prontamente. Um casal, contudo, responde agressivamente. “Por favor, nos deixe em paz”. Ao fundo, ouve-se uma voz: “A mídia só noticia; não ajuda nada”. Os fiéis estavam perplexos com o que aconteceu e não sabiam como agir. Muitos lamentavam, outros oravam, outros agrediam.

Desabamento deixa dez mortos

O desabamento do teto da sede mundial da Igreja Renascer deixou dez mortos e 93 feridos. Na hora do incidente, às 18h50, cerca de 400 fiéis estavam na Renascer. Era intervalo de culto. Em 99, segundo o Estadão, o Contru, órgão que regula o uso de imóveis em São Paulo, havia lacrado a sede da Igreja Renascer por problema no teto, que estava corrompido por cupim. Na época, o fundador da Igreja, Estevam Hernandes, disse que o problema havia sido resolvido. Hernandes está nos Estados Unidos, onde cumpre pena por entrar irregularmente US$ 56 mil naquele país.

Fonte: Comunique-se [via PavaBlog]

2 comentários:

Felipe Faria disse...

Meu caro amigo, creio que por suas palavras você não tem a menor noção o que ocorreu neste triste domingo.

Não sou da Igreja, porem eu estava nas imediações e vivenciei tudo, o drama, a solidariedade, e o descaso dos jornalistas que em momento algum se prontiveram a ajudar, e sim incentivavam pessoas que ao meu ver conhecidas deles causarem tumultos para terem algo que registrar e burlar o bloqueio de segurança o qual tinha apenas o intuito de deixar o espaço livre para o resgate trabalhar.

Portanto sugiro que antes de publicar alguma coisa procuro saber mais sobre ela.

Felipe Faria

Saulo Luz disse...

Olá Felipe, obrigado pela visita!
Acho que você não entendeu irmão. Não são minhas palavras. A matéria foi publicada pelo site Comunique-se. Eu somente reproduzi o texto e não cai na tentação de julgar quem está dizendo a verdade. Sobre os jornalistas ajudarem... eles não estavam lá para isso. Estavam para trabalhar. Mas se pudessem, acredito que ajudariam com certeza (eu ajudaria). Acontece que (você deve saber, se estava lá), havia mais de 40 unidades de bombeiros, fora polícia e Samu... e nesses casos, muito ajuda quem não atrapalha. Ora, tenho certeza de que as autoridades não permitiriam que alguém tentasse ajudar nos escombros. Neste caso, a melhor maneira que os jornalistas teriam para ajudar (assim como os membros da igreja e qualquer pessoa) seria orar e pedir para Deus que salvasse aquelas pessoas. E isso, tenho certeza, você não tem condições de avaliar. A não ser que tenha livre acesso à mente das pessoas...

Agora, esse "bloqueio de segurança" que os membros da Renascer faziam não era necessário. Todos viram pela televisão que já existia um cordão de isolamento e policiais para impedir a entrada de qualquer um (inclusive a imprensa).

Portanto, eu não sei o que realmente aconteceu ali. Nem mesmo você sabe o que aconteceu ali. Você sabe, apenas, o que viu. Posto que o que você viu, não foi TUDO.

Agora, mesmo que tenha acontecido conforme o que você disse, pergunto:
Isto é motivo para um grupo de homens fecharem uma rodinha e baterem em uma mulher?
Jesus faria isso?
Bom, peço desculpas caso tenha se sentido ofendido. Mas a matéria não diz que foram todos que agrediram, somente alguns. Agora, o que devemos fazer é orar, pedir discernimento a Deus. E também buscar conhecer as causas do desabamento. (por que não?) Afinal, hoje foi a igreja "deles". Amanhã pode ser a minha.

Um abraço e fique com Deus!
Saulo