quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Desabamento da Renascer (2)

A Igreja Renascer utilizou na segunda-feira, 19, toda a sua estrutura de comunicação - rádio, TV e portal - para se defender das acusações de negligência no desabamento de domingo e atribuir a um "milagre" não terem ocorrido mais mortes do que as nove registradas. Uma mensagem do comando dizia que a Renascer estava "estarrecida e chocada" com o ocorrido.

Na maior parte do tempo, porém, a tragédia foi ignorada nas emissoras da entidade. "Venha estar conosco nas Igrejas Renascer em Cristo, que continuam com suas atividades normais."

Na internet, pastores e seguidores da Renascer afirmaram que o acidente ocorreu porque "Deus sabe o que faz" e que "tudo estava sob controle absoluto de Deus". "Vamos agradecer a Ele esse grande livramento: se o teto tivesse caído na hora do culto, agora poderíamos contar mais de 500 mortos. Louvemos a Deus", dizia uma mensagem no site da Igreja.

Contrastando com o clima de consternação geral, um pastor disse no início da tarde de ontem, na Rádio Gospel FM (90,1 MHz, em São Paulo, emissora da Renascer), que a segunda-feira era um dia de "muitas vitórias e milagres", apesar do ocorrido. Outro apresentador falou que "jamais houve irresponsabilidade na Renascer". "Temos toda a documentação, laudos, vistorias", declarou. Em seguida, disse que "Satanás está criando mentiras sobre o desabamento".

Também foram feitos apelos na Rede Gospel de Televisão, que ficou o dia todo com uma tarja preta no canto da tela, para que fiéis doassem sangue em favor dos feridos, no Hospital das Clínicas. Quem aparecia era o ex-deputado estadual Geraldo Tenuta Filho, o Bispo Gê, presidente da Renascer. Uma lista com o nome dos feridos foi feita pela Renascer e pode ser consultada no site. A relação, porém, ignora as nove mortes.

Ânimos exaltados

Rivais na busca pela audiência, Globo e Record apresentaram em seus telejornais cobertura parecida sobre a tragédia. O tom da notícia, no entanto, foi mais duro na emissora líder de ibope do que na Record, rede que tem como acionista a também evangélica Igreja Universal.

O estado exaltado de alguns fiéis que tentavam impedir o trabalho de jornalistas na área do acidente também foi retratado nos dois canais. Segundo a Central Globo de Comunicação, a repórter Maria Manso e o repórter cinematográfico Ronaldo de Sousa foram agredidos por um grupo de pessoas que montaram cordão de isolamento, impedindo a passagem da equipe no local do desabamento. As agressões, no entanto, ficaram de fora da edição dos telejornais.

As redes católicas de TV estão tratando de forma diferente a tragédia no templo evangélico. Ontem, por exemplo, a Rede Vida ignorou o fato em seu telejornal das 18 horas. "Nossa linha editorial é não registrar tragédias", explica o diretor de jornalismo, Monteiro Neto. "Na época do Caso Isabela, queríamos ser um oásis para nosso telespectador, que só encontrava a tragédia nos outros canais." De acordo com o diretor, uma das intenções da missa noturna de ontem seria "pelas vítimas do desabamento em São Paulo", sem citar a Igreja Renascer.

Já a TV Canção Nova e a TV Aparecida noticiaram o fato em seus telejornais, mas sem qualquer especulação de causas e sem citar polêmicas.

fonte: Estadão [via PavaBlog]

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