segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Cobrar para pregar: isso é correto?

pergunta já me foi feita várias vezes e graças a Deus tenho minhas convicções muito bem firmadas. A essa pegunta batida e surrada a minha resposta é sempre a mesma: um reverberante não!

Jesus nunca cobrou para pregar às multidões, e assim deixou-nos a preciosa lição de que aquilo que recebemos de graça, devemos dar de graça também. O apóstolo Paulo, apesar das constantes necessidades que envolvem a obra missionária, nunca exigiu que nenhuma igreja lhe enviasse ofertas, antes recebia de bom grado e com ações de graças aquilo que lhe era enviado. A verdade é que nenhum dos apóstolos do Senhor jamais estipularam uma quantia para pregar a palavra de Deus em alguma cidade.

É claro que há alguns textos que enfatizam a necessidade de se sustentar os obreiros: “Digno é o obreiro do seu salário” (1Tm 5.18) e “o que é instruído na palavra, reparta seus bens com quem lhe instrui” (Gl 6.6) estão entre eles. Conheço essas passagens. Jamais disse que um pastor não é digno de receber salário. “O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a colher os grãos” (2Tm 2.6). Não, meu irmão: eu não estou indignado com os pastores assalariados. Estes sim, são dignos de receber tal honra, haja vista o trabalho que desempenham. A minha indignação tem outro motivo.

Cada vez mais no nosso país se multiplicam as estrelas gospels, com seus super ternos marca Armani, seus sapatos de couro de jacaré, suas abotoadeiras de ouro 18 quilates e sua enfadonha e repetitiva mensagem. Muitos chegam a cobrar até 15 mil reais para pregar em uma só noite! É com essa corja infeliz que eu vocifero minha repulsa e desafeto.

Os pregadores shows, ou ainda animadores de auditório, são os trabalhadores mais caros de nosso país. Qual é o profissional formado que ganha 15 mil reais em uma hora de trabalho? Pois é: as estrelas gospels, pregadores de mega-eventos chegam a ganhar 15 mil reais por apenas uma hora de performance sobre um púlpito. Aliás, é por causa disso que vocês dificilmente me encontrarão em congressos de reteté, ovacionando um pacóvio que memorizou meia dúzia de chavões e já pensa que é pregador. Eu tenho colegas pastores que recebem como paga de um mês de pastoreio fiel de sua congregação apenas um salário mínimo e quando muito dois – sim, pois ao contrário do que se pensa, é isso que ganha um pastor da Assembléia de Deus, a maior denominação do nosso país, exceto os que presidem as instituições. Pois é: aí aparece um aventureiro que gravou um DVD lá na “Meca dos pentecostais” (quem lê, entenda) exigindo como salário de uma hora de pregação o que um pastor de igreja não ganha nem em um ano! Tá faltando é óleo de Peroba...

No mundo musical gospel a coisa é ainda pior: 15 mil reais em alguns casos só dá pra trazer o cantor na igreja para cantar 2 a 3 músicas, e só se for com play-back! Certa vez eu quis convidar uma cantora dessas para divulgar a nossa pequena rádio no interior de Minas Gerais, e a abençoada teve a audácia de exigir 17 mil reais, 12 passagens de avião (primeira classe, óbvio!), hotel de luxo e todas as despesas por nossa conta, e isso sem falar no aluguel do ginásio e do som. É claro que eu não “contratei” a irmã estrela.

Realmente esses cantores e pregadores shows são uma das classes mais abusivas que existem no meio evangélico. Eu disse “uma das classes” porque entendo que existe outra ainda pior: a dos contratantes das estrelas. Há centenas de obreiros frouxos que por não conseguirem manter o povo com a Palavra de Deus, contratam um profeta fanfarrão para dar ao povo pão e circo. E não só isso, mas também convidam estrelas extravagantes que com uma melodia hipnótica levam o povo a um frenesi doido. Estes, “choram” as suas melodias sem sentido tocadas geralmente em quatro acordes, enquanto pensam no cachê que vão receber logo depois que o “culto” acabar. Sim, os contratantes são os piores, pois estes tiram o dinheiro da boca do obreiro assalariado, que durante anos serve ao seu líder denominacional sem nunca levantar a voz e dão às estrelas (de)cadentes, que não têm nenhum compromisso com a igreja: pregam e cantão hoje aqui, e amanhã sabe Deus onde estarão... E assim, o dinheiro que poderia ser investido na assistencia social, na costrução de novas igrejas, em salário de obreiros e na obra missionária, acaba sendo entregue ao ídolo gospel. É isso que acontece nos mega-congressos da sua igreja, meu caro! Ou você pensa que aquele cantor super pop star e aquele pregador do reteté que prega na televisão vai na tua igreja de graça? Eles cobram, e o cachê deles é caríssimo.

É por isso que eu não pago pregador nem cantor para pregar na igreja; eu dou é valor na prata da casa, nos obreiros fiéis que estão ao meu lado e nos músicos da igreja. Que Deus me livre de tirar a comida da boca de um obreiro fiel que se dedica ao pastorado de tempo integral, para dar para um aventureiro farsante e aproveitador da fé alheia. Comigo não, violão! rs...

Não gosto, não apoio e não creio que essa exploração existente no mercado gospel seja bíblica. Quem cobra cachê para pregar nunca vai pregar na minha igreja (mesmo porque ela é pequena, obra missionária, e não tenho os 15 mil para pagar para as estrelas da pregação, rs). Verdadeiro é o ditado que diz que “o homem que se vende, não vale o que pede”.

Por Leonardo G. Silva - Th.M., no blog Púlpito Cristão

Um comentário:

Anônimo disse...

Concordo plenamente com suas palavras. Me decepcionei muito com as igrejas que parecem mais um "mercado da produção" onde se vende de tudo. Pior é que a culpa é do povo que sustenta esses cambistas e mercenários. O dom de Deus é dado a qualquer homem ou mulher que creia. Qualquer pessoa pode ser usada por DEUS. As pessoas se enganam em pensar que para ouvir a voz de Deus elas precisam de um pregador de fora em sua igreja. Podemos ouvir o Senhor a qualquer hora do dia. Deus é amor e abomina o comércio das coisas santas. Jesus condenará os mercenários no último dia. Enquanto isso resta-nos falar a verdade e denunciar esses lobos...