terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A ‘branquinha’ da discórdia


A militância gay do Paraná anda louca da vida. Uma empresa local vende uma cachaça com o rótulo “Cura veado”, cuja imagem mostra um homem desmunhecado, de batom, unhas vermelhas, sobrancelhas arqueadas, cílios postiços e com os cabelos tingidos de rosa.

Por R$ 9,90, a "Cura Veado" pode ser comprada em duas lojas da Magic Center em Curitiba e on-line no site da empresa. Líderes do movimento gay dizem ver preconceito e discriminação, ao passar a idéia de que a homossexualidade é doença e pode ser curada, e afirmam terem virado motivo de piadas de mau gosto.

A bebida está no mercado há 40 anos e pode ser comprada até pela internet. Mas associações de defesa dos interesses dos homossexuais se articulam para retirar a “branquinha” das prateleiras – ou, pelo menos, mudar sua imagem. A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) enviou um ofício aos responsáveis pela fabricação e comercialização do produto, pedindo que ela deixe de usar o rótulo com as mensagens que considera “ofensivas”.

“Consideramos que [a cachaça] contribui para o preconceito e a discriminação, pois transmite uma idéia errônea da realidade homossexual, além de fazer deste cidadão objeto de riso”, diz a mensagem da entidade. Além disso, os representantes do movimento dizem que o rótulo passa a idéia de que a homossexualidade é uma doença, já que seria passível de cura.

Aguardantes produzidos em pequenas destilarias ou em sistema artesanal costumam trazer nomes jocosos. A maioria deles é impublicável, mas geralmente fazem alusão a questões comportamentais que envolvem a sexualidade – caso da “Amansa corno” ou da “Levanta véio”, por exemplo. O empresário Luimar Szczepanski, dono das lojas Magic Center, que vendem a “Cura veado”, diz que não tem intenção de fazer chacota com quem quer que seja, mas que não pode ir contra a força da cultura popular.

“O que posso fazer se os homossexuais se sentiram ofendidos?”, desconversa. Ele diz que a "Cura Veado" vende ao menos duas dúzias/mês. E quem compra essa cachaça? Segundo a Magic Center, o produto é vendido aos que querem pregar uma peça em amigos. Entre outros rótulos, a loja vende a "Amansa Corno" e a "Nabunda".

Ao menos por enquanto, a associação diz que não pretende processar a loja pela "Cura Veado", mas "dialogar para promover uma ação educativa", que chamam de "advocacy".

fonte: jornal Folha de São Paulo [veja a versão da Folha Online]

comentário: Será esse o segredo da "cura" de homossexuais pelos pastores da Renascer que adoram aparecer no programa da Luciana Gimenez?

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