segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Neuroses eclesiásticas

Loucura?

Um sinal bastante intrigante é encontrado nos sanatórios, hospitais psiquiátricos para doentes mentais em estado grave. Embora atualmente muito combatidos (por boas razões, diga-se), os sanatórios também estão cheios, e com muitos irmãos evangélicos entre os pacientes. Isso poderia apontar duas coisas: ou a igreja estaria enlouquecendo as pessoas que a procuram, ou talvez a igreja seria procurada por pessoas que estão enlouquecendo e não consegue
recuperar sua saúde mental. É claro que isso não é tão simples assim - em muitos casos a igreja alivia o sofrimento psicológico dos que a procuram. Para nosso propósito, por enquanto, tomemos os sanatórios cheios de evangélicos apenas como um sinal de que algum problema deve haver; mas ainda não é suficiente para concluirmos nada.

Frustração?

Um segundo sinal: o mundo está cheio de ex-crentes. Já nos anos 80, segundo o Jornal Batista, o número de ex-batistas no Brasil era praticamente igual ao número de batistas na ativa. Muito provavelmente isso também se aplica às demais denominações evangélicas tradicionais. Com o fenômeno das igrejas neopentecostais, uma nova safra de crentes evangélicos inundou o Brasil e, à medida que os anos passam e as promessas de prosperidade não se cumprem, uma nova safra de ex-crentes decepcionados deve estar voltando para as ruas, enquanto outros crentes começam uma “peregrinação” de igreja em igreja, intuindo que há alguma verdade salvadora nesse meio, mas não se sentindo seguros de a ter localizado. Essa massa de irmãos freqüenta as “igrejas da moda”, que são duramente criticadas pelas igrejas mais estabelecidas, que não
admitem sua parte de culpa nessa decepção coletiva.

Esse já é um sinal mais direto. Não esperamos que a igreja satisfaça a todos que a procuram. Mas decepcionar a tantas pessoas, dentre a pequena parcela da população que se decide a entrar nela, é sem dúvida mais um indicador de que há problemas sérios que não estão sendo tratados, uns nas igrejas tradicionais, outros nas pentecostais.

Karl Kepler, psicólogo, pastor, professor de Teologia e presidente do CPPC (Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos).

[via pavablog]

Um comentário:

Evaristo disse...

Esse é um tema que retrata, o atual quadro das igrejas brasileiras. Entretanto, é o cumprimento das sagradas escrituras: é inevitável que venham os escandalos; traição, esfriamento e etc e tal. O que penso é que o caminho é estreito mesmo e poucos sao os que entram por ele. O que existe , é um povo doente da alma, decepicionados sim, porém não sabem perdoar, tem dificuldade de aceitar a falha do outro e tirar a trave do seu olho,só o antídoto do amor para curá-los. Que a misericórdia de Deus inunde a nossas igrejas. O que falta é procurar-mos viver a palavra na integra. Evaristo Manaus- AM.