segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Minha Esperança Brasil

Extremamente elogiado pela causa evangelística, como era de se esperar, e ligado ao nome de um dos maiores evangelistas de todos os tempos, Billy Graham, o Minha Esperança Brasil foi divulgado, adotado, patrocinado e glorificado por milhares de igrejas.

Não me crucifiquem(ainda) pois não estou a julgar a intenção dos organizadores do projeto. Acidentalmente, ou não, eles recorreram à velha fórmula publicitária para levar o Reino de Cristo, utilizando um meio pelo qual já mostrei minha incredulidade: a televisão.

Se esse fosse o único erro poderia parar por aqui, mas o que mais me incomoda é o tipo de linguagem triunfalista que a campanha adota. Vou citar alguns exemplos facilmente encontrados em todo discurso desse típico “Sebastianismo gospel”. Você pode vê-los na página do site oficial do Minha Esperança:

Chegou a hora! Em Novembro (referindo-se às transmissões no horário nobre da Band)
Testemunho impactante com Aline Barros
Testemunho impactante com Kaká
Testemunho impactante com Paulo Baruk
Mais de 500 mil mini-estádios brasileiros
Hoje, 34 anos depois desse grande econtro
Outra vantagem é o projeto abranger…

Há mais uma série de exemplos sobre o foco em números e linguagem triunfalista do projeto.
Como notado nos exemplos supracitados, vê-se também que o ME adota as velhas estratégias da publicidade tradicional. Uma dos recursos utilizados é a participação de celebridades de peso como Kaká, e “ícones” do gospel nacional como Aline Barros.

O Minha Esperança erra em tentar vender Jesus no horário nobre de uma grande emissora assim como se vende sabonetes no intervalo da novela das oito.

Perdoem-me a sinceridade, mas não sou capaz de dar aval para que rios de dinheiro arrecadados se transformem em 30 minutos de horário nobre. Tudo isso deveria ser convertido em sustento de creches, escolas e hospitais por período prolongado. Seria mais eficaz do que a suposta mensagem milagrosa da vida da Aline Barros.

Thiago Bomfim, no blog Livraria do Thiago. [ via pavablog]

2 comentários:

Fabio disse...

Oi, compreendo que muito mais valioso que hospitais, creches, escolas... é a conversão e de tabela a Salvação. Se através desses 3 programas, 1 (uma) Alma for salva para o Reino. É válido. dinheiro não nos pertence, o que nos pertence é a responsabilidade de dar a ele, o destino certo. Paz sempre e muita oração =)

Saulo Luz disse...

Entendo seu ponto de vista Fábio, mas, não que eu concorde totalmente com o texto postado, mas vejo que é muito mais importante a igreja VIVER o evangelho do que simplesmente o ato de falar sobre ele.
O exemplo e a ação da igreja podem valer mais do que mil palavras, além do mais, não são esses programas que vao salvar ninguém. Quem converte e convence é o Espírito.
Entendo a validade de evangelizar pela televisão, mas pregar o evangelho não custa nada (ou não deveria). Não é preciso gastar milhões em horário nobre. Ultimamente é cada vez mais perigosa a relação evangélicos - media - marketing. Seria prudente que a Igreja evitasse, ao máximo, se relacionar com isso, pois está se contaminando.