sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Hoje comemora-se a Reforma Protestante

Nessa sexta-feira (31/10) comemora-se 91 anos da Reforma Luterana, marco de criação do movimento protestante no mundo. Em 31 de outubro de 1517 foram pregadas as 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, com um convite aberto ao debate sobre elas, fato que é considerado como o início da Reforma Protestante. As teses abominavam o paganismo na Igreja e pediam um debate teológico sobre as indulgências. As 95 Teses foram logo transcritas para o alemão e amplamente impressas, sendo que após um mês já haviam se espalhado por todo continente Europeu. Leia abaixo a entrevista do jornalista Nelson Dutra com o coordenador do curso de Teologia da ULBRA (Univesidade Luterana do Brasil), Leopoldo Heimann:

ACS/Imprensa - Quais foram as causas da reforma luterana?

Leopoldo Heimann - Muitas. Destaco apenas as três que considero as maiores:

A valorização da Tradição Eclesiástica acima da Sagrada Escritura, que é a inspirada e infalível Palavra de Deus. A corrupção espiritual e moral do clero, incluindo padres, bispos e o próprio papa da época e a venda de indulgência, isto é, a compra a dinheiro do perdão dos pecados e da salvação eterna. Um escritor católico da época disse: “A igreja precisava de uma reforma dos pés à cabeça”. Neste contexto entra Lutero.

ACS/Imprensa - Que legado ela deixou para os dias de hoje?

Leopoldo Heimann - O maior legado é doutrinário, ainda válido e pregado pela Igreja Luterana em nossos dias: os chamados “três solas”, em língua latina.

A Sola Scriptura, isto é, somente a Escritura como fonte e norma da doutrina cristã;

A Sola Gratia, isto é, somente por graça de Deus o pecador pode ser salvo;

A Sola Fide, isto é, somente pela fé em Cristo (e não por obras ou méritos humanos) o pecador pode ser salvo.

ACS/Imprensa - Hoje, o que diferencia a Igreja Luterana da Católica, por exemplo?

Leopoldo Heimann - Apesar das divergências, é próprio lembrar que a “Igreja Católica” e a “Igreja Luterana” são igrejas cristãs. Também é preciso frisar que há convergência e unanimidade em muitas doutrinas e em muitas colocações morais e éticas. Diferenças? Apesar da Igreja Católica ser diferente e melhor hoje do que no século XVI, ainda persistem discrepâncias doutrinárias como estas: equivalência de Tradição e Escritura, o ensino da salvação por obras, Maria como medianeira, Santa Ceia, purgatório, infalibilidade do Papa, etc. Contudo, o diálogo ecumênico ou interreligioso entre as duas igrejas é bem “mais humano, harmonioso e teológico” hoje do que nos tempos de Lutero.

ACS/Imprensa - Na sua opinião, independente de que credo seja, as religiões estão mais flexíveis em relação aos seus dogmas?

Leopoldo Heimann - Não são mais flexíveis. As grandes religiões universais não-cristãs continuam irredutíveis em seu fanatismo (até à morte). A mídia o comprova. Determinadas “seitas novas”, que se proliferam assustadoramente, manifestam desprezo, ódio e “fanatismo cego” em relação às outras igrejas ou religiões. São “cegos guiando cegos”.

ACS/Imprensa - Haveria hoje, condições/necessidade para uma nova reforma?

Leopoldo Heimann - A premissa sóbria e maior sobre esta questão, os teólogos manifestam no principio latino: “Ecclesia semper reformanda est”, isto é, a “igreja sempre é reformável”. Assim será até à parusia de Cristo. Na Igreja Luterana não há necessidade de mudanças doutrinárias, mas há necessidade de reformas, adequações e pronunciamentos precisos sobre questões de ordem moral e ética. Inclusive na própria pregação do evangelho neste agitado mundo pluralista e instável do século XXI. Pensando no compromisso do Curso de Teologia da ULBRA, na Igreja Luterana, nas religiões universais, nos professores, pregadores e alunos é oportuno abrir a Sagrada Escritura e lembrar a recomendação de Lutero, o Reformador: Continuem firmes em ler, em ensinar, em aprender, em meditar e em refletir!

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