sábado, 11 de outubro de 2008

Evangélicos e políticos: esse casamento vai dar divórcio, litigioso!


Em encontro com líderes evangélicos em São Paulo, nesta sexta-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que os fiéis não retribuíssem contra Marta Suplicy (PT) o "preconceito que sofrem".

Diante de uma platéia de cerca de 50 pastores de diversas denominações protestantes, o presidente disse que "ninguém sofreu mais preconceito" que ele mesmo. "Ninguém tem mais horas nas costas de preconceito do que eu. Agora quem está sofrendo preconceito é a Marta, é uma campanha de preconceito. E justamente pelo que ela fez de bom pela cidade."

No evento, parte da agenda de campanha de Marta nesta sexta, Lula citou diversas vezes "Deus" ao fazer discurso em prol da petista. Um dos pastores agradeceu ao presidente por ter implementado a Bolsa Família, que teria "ampliado a arrecadação de dízimos".

"Juntos [Marta e ele], vamos trabalhar por todos que acreditam que existe um ser superior", disse Lula. "Todo mundo é filho de Deus, mas Ele olha para os que mais precisam. Assim tem que ser o político. Não pode governar só para as avenidas Paulista e Faria Lima."

O presidente voltou a evocar "a presença divina" ao comentar a crise dos mercados financeiros. "Com a graça de Deus, até agora a crise não chegou no Brasil. Vamos enfrentar a bicha [a crise] como ela merece ser enfrentada", disse. E declarou ainda que "Deus deve estar morando por aqui" para explicar a descoberta de grandes reservas de petróleo na costa nacional.

A reunião atrasou em uma hora porque Lula estava gravando um vídeo de apoio a Eduardo Paes (PMDB) na corrida pela prefeitura carioca contra Fernando Gabeira (PV), atendendo a pedido do governador Sérgio Cabral. Tudo aconteceu em um hotel cinco estrelas do Brooklyn, bairro nobre de São Paulo, onde o presidente participou de almoço com executivos brasileiros e norte-americanos.

Lula aproveitou a passagem pelo hotel para entrar na campanha de segundo turno de Marta e gravar o vídeo para Paes. Inicialmente, a idéia do comitê martista era que Lula participasse de um comício no sábado, mas o presidente ficará em Brasília e se preparará para viagem oficial ao exterior.

Ou seja, o tão esperado comício para alavancar a ex-prefeita, que está 17 pontos atrás do rival Gilberto Kassab (DEM) nas pesquisas de opinião, só poderia acontecer na reta final, poucos dias antes da eleição de 26 de outubro.

Em salão encarpetado e de ar condicionado, Lula mostrou seu apoio a Marta. De manhã, em Brasília, em entrevista coletiva a jornalistas de portais de Internet, Lula afirmara que só participaria da campanha de Marta, mas a gravação de apoio a Paes mostrou que sua imagem não será só utilizada em São Paulo.

Saia justa
Durante o encontro, que reuniu cerca de 50 líderes de diversas denominações protestantes, a candidata foi interrompida por um pastor que se queixava da lei que criminaliza a homofobia - que tiraria, dos evangélicos, "liberdade de expressão".

O pastor também contestou um processo que Marta moveu contra um radialista da Assembléia de Deus. Ela se explicou dizendo que o processo foi encerrado depois de o radialista ter se desculpado por se referir a ela com palavras de "baixo calão".

Outros evangélicos se queixavam da lei de união estável, que foi proposta por Marta quando era deputado federal. "Não somos contra o homossexual, que amparamos em nossas igrejas. Somos contra o homossexualismo", disse o reverendo presbiteriano Josias Reis, ligado ao PT Estadual.

A maioria dos evangélicos disse que veio ouvir o presidente, mais do que demostrar apoio a Marta. "Fomos convidados e não podíamos perder a alegria de estar com o presidente", afirmou o pastor batista Valdo Romão.

Com a agenda lotada (tinha que estar em Brasília às 20h para jantar comemorativo dos 200 anos do Banco do Brasil), Lula ouviu os depoimentos dos pastores e até brincou com um mais exaltado: "Com essa garganta tinha que ser o nosso apresentador."

Outros protestantes anunciaram apoio a Marta, afirmando que oravam por sua eleição e tentariam convencer seus fiéis.

Promessas
A candidata disse que, se eleita, voltará a autorizar a Marcha para Jesus na avenida Paulista - o evento foi transferido para Santana durante a gestão Serra-Kassab.

Marta também ouviu, dos pastores, queixas referentes às leis do plano Cidade Limpa, que restringiu tamanhos de placas e outdoors nas fachadas das igrejas - e Psiu, que limita barulho na cidade.

"Essa gestão está perseguindo os evangélicos", criticou o pastor José Dinarte, da igreja Catedral da Benção.

A candidata prometeu flexibilizar a restrição às propagandas no caso de instituições religiosas e disse que "falta diálogo com os evangélicos" no caso da restrição ao barulho. "Igreja não é açougue ou supermercado. É preciso uma identificação diferenciada para as instituições religiosas", declarou a candidata, que terminou seu discurso com um "louvado seja Deus", bem no modelito evangélico.

ps: Pelo menos, dessa vez, o encontro foi em um hotel e não na igreja. O líderes evangélicos tem total direito de se reunirem com os políticos, mas não em nome da "causa evangélica". Isso tudo é palhaçada. Tá na hora de as igrejas confiarem mais na cidadania dos seus respectivos membros e deixarem cada um votar em quem quiser. Lugar de político é no palanque e não no púlpito. Como diz a canção de João Alexandre, é proibido pensar nas igrejas de hoje.
Você que é cristão, peça sabedoria a Deus e vote em quem teu coração e sua mente acreditam. Não se deixe levar pela palavra de pastores, padres, presbíteros, bispos, apóstolo ou quem quer que seja.

Do UOL Notícias

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