sexta-feira, 22 de agosto de 2008

SANTA MARIA OU MARIA SANTA?

O modo como os “protestantes” desconsideram Maria é tão ofensivo em seu ódio ou indiferença quanto o é em seu exagero idolátrico a reverencia adorativa ou mesmo a adoração disfarçada, que muitos “católicos” devotam a Maria.
Maria, no entanto, foi de fato extraordinária! Sim! Era extraordinária na medida em que foi extraordinarizada pela Graça de Deus que a escolheu antes de ela pensar qualquer coisa sobre o assunto. Ela, porém, entregou-se a Deus contra toda a interpretação dos homens. Afinal, todos nós sabemos que naqueles dias o que esperava uma mulher noiva ou casada que ficasse grávida — que não fosse de seu marido ou noivo — seria o apedrejamento. Ela, porém, contra toda moral humana, disse: “Eis aqui está a serva do Senhor! Faça-se em mim conforme a Tua vontade”.

Também igualmente horrível é o que aconteceu a José. Sim! Pois José aceitou criar como seu um filho que ele sabia que não gerara, e decidiu assim em razão de um sonho. Ouviu uma voz de anjo no sonho, que lhe disse: “Não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado é do Espírito Santo!” — e, em razão de tal subjetividade, um sonho, assumiu para sempre diante de todos que o filho era seu.
A Encarnação do Verbo em Jesus aconteceu, em todos os aspectos, sob o signo da violação e da contradição. Haveria certamente outras virgens para engravidar além de Maria. Sim! Uma virgem menos comprometida. Mas nenhuma delas era Maria. Assim como nenhum outro homem era José. José fez tudo o que tinha de fazer e desapareceu. Maria continuou... Até à Cruz ao lado Dele.
Jesus, da Cruz, dá a Maria outra missão: adotar e deixar-se adotar por um filho que não gerara: João. “Mulher, eis aí o teu filho! E disse a João: Eis a tua mãe. E, daquele dia em diante João cuidou dela.” Estranha é a vontade de Deus! Afinal, depois de tudo, não estaria na hora de Deus aposentar Maria? No entanto, ao invés de descanso Maria recebe mais uma peregrinação nesta existência.
Ora, eis a pergunta que tal realidade impõe: Se foi assim com Maria, a mãe de Jesus, por que comigo seria diferente? Para quem dera o ventre e a carne ao Filho de Deus, agora era a hora de adotar e, também, de deixar-se cuidar por um filho de Deus que Maria não gerara. Maria tinha outros filhos. Mas Jesus deu a ela a missão de se dar fora dos limites consangüíneos.
Maria era uma genuína hebréia, e, por isto, prosseguiu a caminhada. Jesus disse que nós que somos maus sabemos dar boas coisas aos nossos filhos. Desse modo se sabe que ser bons para os filhos até os maus sabem ser.
No entanto, o desafio para que se cresça no amor não conhece barreiras e nem tetos. Por isto, agora, Maria teria de amar fora dos limites da carne e do sangue. Para quem acolheu a Deus, é chegada a hora de acolher aos homens!
Maria e José viveram na prática, e João também, aquilo que João bem mais tarde diria: “Aquele que ama a Deus, ama também a todo aquele que Dele é nascido”. Laços de carne e sangue são poderosos e legítimos. No entanto, se amarmos apenas aos de nossa própria carne, jamais aprenderemos a amar para além do instinto.
Maria é santa em razão de ter se santificado no fazer a vontade de Deus com alegria e submissão em fé. Foi santificada em Jesus. Porém, Nele mesmo continuou a jornada; e, assim, foi santificada na experiência do amor que cresce para além do instinto! Por isto, digo: Santa Maria nem tanto! Mas Maria santa, certamente!

texto de Caio Fábio, retirado de www.caiofabio.com

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