sexta-feira, 1 de agosto de 2008

A graça que liberta da religião

“Eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo.
Leite vos dei por alimento, e não comida sólida, porque não a podíeis suportar; nem ainda agora podeis. Leite vos dei a beber, não vos dei comida; porque ainda não podíeis.
porquanto ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja e contendas, não sois porventura carnais, e não estais andando segundo os homens? Ainda agora não podeis, porque ainda sois carnais. Porquanto havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem?
Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; não sois apenas homens? Pois se um disser: Eu sou de Paulo; outro, porém: Eu de Apolo; não é assim que sois homens?
Pois, que é Apolo, e que é Paulo, senão ministros pelos quais crestes, e isso conforme o que o Senhor concedeu a cada um? ...Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.”
(ICor. 3:1-5, 10)



Desde pequeno, sempre tive orgulho de dizer: “Sou Crente. Presbiteriano, Evangélico, Protestante, Cristão”. Hoje já não posso dizer isso com tanta alegria. No decorrer de minha vida, me deparei (e me decepcionei) com a realidade (distante do evangelho) encontrada nas igrejas locais, nas denominações e até mesmo no “cristianismo”.

Por outro lado, descobri que posso dizer com muita alegria que não me encaixo mais em nenhuma religião. Descobri que que Jesus não quer que sejamos religiosos, pois a religião aprisiona. Ele quer apenas que o adoremos em espírito e em verdade. Explico:
Religião deriva do termo latino "Re-Ligare", que significa uma tentativa da criatura de se "religar" com o divino. Havia também o termo “religio”. Aparentemente no mundo latino anterior ao nascimento do cristianismo, religio referia-se a um estilo de comportamento marcado pela rigidez e pela precisão.

Assim, podemos pensar que religião é uma tentativa do ser humano se conectar novamente com Deus (após ter se distanciado com o pecado), através de ritos, sacrifício e obediência a leis.
Desta forma, religião é o contrário de tudo aquilo que Cristo pregou. Pelo Evangelho, o ser humano não precisa tentar se re-ligar à Deus. Afinal, foi o Próprio Deus que veio ao mundo, criado por Ele, trazendo graça, verdade e salvação para todo aquele que aceitá-Lo. Portanto, qualquer tentativa de tentar se re-ligar (através das religiões) é inútil. Sem falar que desvaloriza a morte de Cristo, pois foi Ele quem se sacrificou para que pudéssemos voltar aos braços do Pai. É como na parábola do Filho pródigo. O filho, arrependido, queria voltar para a casa do pai para ser tratado como um dos empregados e não filho. Ele não se achava digno de ser chamado “filho”.
Mesmo assim, o pai deu uma festa e o presenteou com anel e roupas. Mesmo que o filho não se achasse digno, o pai o dignificou e o justificou pelo amor.
Ser escravo de uma religião é como o filho pródigo: “Sabe-se que não é justo e digno da salvação, e se tenta com um sacrifício (o do filho era ser tratado como empregado) agradar a vontade de Deus para se tornar digno. Deus não precisa e não quer isso. Ele faz como o pai. Já nos justificou na cruz e nos cobriu de graça.

Jesus não criou nenhuma religião. Não fundou nenhuma igreja... não era batista, católico, ortodoxo, pentecostal, nem presbiteriano. Até mesmo o cristianismo não foi ele quem criou. Todas as palavras que terminam com “ismo”, revelam o caráter extremista. Assim, islamismo é ser radical e contra tudo e todos que não são do islã. Isto serve para todas religiões, ideologias ou padrões de viver a vida(judaísmo, budismo, hinduísmo, cristianismo, nazismo, fascismo, comunismo, capitalismo, consumismo, sionismo, anti-semitismo, tradicionalismo, conservadorismo, dogmatismo, humanismo, individualismo...)
Assim, o cristianismo é um fundamentalismo. É uma aberração, deturpação do Evangelho de Cristo.

Hoje existem “igrejas” onde a vida do membro é quase que totalmente, controlada pelo pastor ou “autoridade que está sobre” o crente. Jesus não estabeleceu hierarquia pastoral, apostólica, sacerdotal... nada disso. Eles colocam-se como intermediários entre a pessoa e Deus. Deve-se contar tudo para ele, se confessar para ele, obedecer suas ordens, nunca discordar e por aí vai...
Isto se aplica em pastores, bispos, padres... alguns até se auto-intitulam apóstolos. A subserviência às “autoridades” eclesiásticas chegou ao nível de idolatria. Quando o crente não obedece por ser fã do pastor (também serve para cantor gospel), ele obedece porque tem medo. Então, assim como alguns dizem: “Sou de Paulo. Sou de Apolo”. Outros dizem: “Sou católico. assembleiano, metodista. Sou fã do Diante do Trono, do Baruque, do Adhemar. Sou do lado do Caio Fábio. Sou do Silas Malafaia...”
A igreja evangélica está doente. Olha que nem estou falando dos casos de corrupção, inveja, fofoca, adultério, mentira, coisas que todos estamos sujeitos.
A igreja está escravizada pelas suas próprias vontades e pelos seus “ismos”.
No próximo Censo Nacional do IBGE, quando a pesquisadora me perguntar qual a minha religião, irei dizer: “Não tenho e não quero religião. Quero o Evangelho, pois sou de Cristo”.

Que essa crítica toque no coração de todos, a começar em mim.
Saulo

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