terça-feira, 6 de novembro de 2007

Muita desinformação sobre o "Caos Aéreo"

Talvez o assunto mais discutido e comentado nos últimos 12 meses seja o tal do "Caos Aéreo". Tudo começou com o choque entre um jato Legacy americano e um Boeing da Gol em Setembro de 2006, que derrubou o último na selva de Mato Grosso e matou as 154 pessoas a bordo. O episódio, que até hoje não conhecemos as verdadeiras causas, chamou definitivamente a atenção da população brasileira para a precariedade do setor de transporte aéreo do país. Apesar dos erros cometidos pelo piloto (norte-americano) do Legacy, o caso revelou uma série de falhas na cobertura de radar do território brasileiro, dentre outros problemas que já começam nas comunicações por rádio. O Brasil tem mais de 50 frequências diferentes de rádio para a comunicação entre aviões e centros de controle em terra. Existem ainda "áreas de silêncio", onde o rádio fica inoperantes(sem sinal) por intervalos de até quinze minutos. Da mesma forma, os radares possuem zonas cegas. Como se não bastasse, os aeroportos são deficientes.
Acusados pela mídia brasileira e americana de que o acidente da Gol foi motivado por negligência do controle aéreo, os controladores de voo - na maioria militares - iniciaram no fim de 2006 um movimento por melhores salários denunciando suas péssimas condições de trabalho (a maioria estavam sobrecarregados, controlando mais aviões do que o previsto). Os profissionais nem precisaram fazer greve, apenas seguirão os regulamentos de segurança (reduzindo a quantidade de aeronaves para cada um) para que o caos se estabelecesse nos aeroportos: Atrasos e cancelamentos nos voos, filas enorme e muita gente dormindo nos bancos. Estava estabelecida a crise do setor aéreo brasileiro.
O aumento da presença do tema a "caos aéreo" na mídia brasileira, fez com que a Força Aérea Brasileira (FAB), a Infraero, e os controladores de voô fossem apontados como supostos culpados pela negligência do espaço aéreo e da infra-estrutura. Todos tem sua parcela de culpa, mas é necessário ressaltar a confusão que a criação da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) trouxe para o controle do setor, antes feito somente por militares. Além disso, o problema é agravado pela indefinição em relação à situação profissional dos controladores de voo( alguns são militares e outros são civis). A confusão acontece, pois os militares são proibidos do direito de greve, enquanto nenhuma lei poderia impedir os civis. A situação ficou complicada, quando em maio de 2007, controladores de vôo organizaram um motim em um dos Cindactas.
O tão falado caos aéreo, então abrange 5 problemas originais: a péssima infra-estrutura aeroportuária, as falhas na cobertura-radar e de rádio, a insegurança profissional dos controladores de voo, e a confusão entre militares e civis da Anac.

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