quarta-feira, 31 de outubro de 2007

A falácia por traz da oposição à CPMF


Ok. Também acredito que é injusto prorrogar um imposto que, por natureza, é provisório. Mas ao analisar a polêmica entorno da CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira – é preciso muito cuidado, para não acabar sendo usado como massa de manobra pela elite brasileira. Atribuir à CPMF a culpa pela alta carga tributária e, ainda mais, pelo desemprego e dizer que prejudica principalmente os pobres é uma falácia das grandes.
O que vem sendo veiculado na mídia induz a população a pensar que a CPMF é o grande vilão que faz todo mundo fechar as contas no vermelho no final do mês, quando não o é. Como a CPMF é cobrada com porcentagem somente sobre a movimentação financeira, logo, se deduz que não são os pobres os mais atingidos. São os ricos, isto mesmo.
O raciocínio é simples. Como o pobre tem pouco dinheiro no banco, as movimentações são menores e, na maioria das vezes, menos frequentes. Portanto, o volume arrecadado será pequeno. Já como o “companheiro” mais abastado acontece o contrário. Sua conta bancária está em constante movimentação e as quantias são sempre bem gordas e , por isto, a quantia recolhida pela CPMF também será bem grandinha.
A CPMF é, talvez, o imposto mais justo do Brasil. Com a CPMF praticamente não tem como fugir: todos acabam pagando, pois é cobrado direto na fonte. E a cobrança e feita proporcional ao volume da movimentação. O modelo deveria substituir o Imposto de Renda e outros tributos que acabam permitindo a sonegação, o jeitinho brasileiro e as falsas declarações. Formas de corrupção que geram desemprego e recessão econômica.
É curioso porque ninguém fala de outros impostos que são muito mais prejudiciais, como o ICMS, que incide sobre as vendas de produtos. Neste caso, as fraudes são gigantescas ou alguém acredita que tudo que é vendido no Brasil é devidamente declarado na fatura? Quantas vezes você comprou um produto por R$9,99 e acabou não recebendo seu um centavo de troco. E você acha que aquele "um centavo" é declarado? No final das contas, são milhões que vão para o bolso de quem? Para a saúde pública é que não vão.
Conclusão: Os mais atingidos pela CPMF? São claramente os empresários e industriais. É por isto que o “imparcial” presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) foi para Brasília com um milhão de assinaturas pedindo a extinção da CPMF. Tudo leva a crer que só os mais abastados não querem a CPMF.Isto sem dizer, que o imposto deve recolher R$ 40 bilhões em 2008, recursos suficientes para apoiar diversos programas sociais e na área da saúde, dirigidos, principalmente, aos mais carentes.

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